«Lobos de Arga» por José Pedro Lopes

(Fotos: Divulgação)

O cinema fantástico espanhol já antingiu a maioridade, como claramente ficou provado neste Fantasporto 2012 com ‘Juan de los Muertos’ (coprodução com Cuba) e este divertidíssimo ‘Lobos de Arga’. A prova reside no seguinte: ao contrário da grande maioria das cinematografias europeias, os filmes fantásticos espanhóis têm identidade própria e personalidade muito local, valem por coisa genuinamente espanholas e muito pouco por empréstimo de modelos importados de Hollywood.
 
‘Lobos’ coloca-nos em 1896, na pequena povoação de Arga na Galiza, onde uma maldição terrível converte Molinera num lobisomem. Passados cem anos, Tomás – o último descendente de Molinero – é um fracasso escritor que regressa à sua terra natal para ser alvo de uma despropositada homenagem. Depressa ele percebe porquê: os locais acreditam que o tem de sacrificar para evitar que se cumpra a maldição que diz que 100 anos depois surgiria um homem-lobo.
 
{xtypo_quote_left}‘Lobos de Arga’ é um filme de terror cheio de comédia, ação, sustos e um sentido certeiro de ritmo. Bravo! {/xtypo_quote_left}Este filme de Juan Martinez Moreno é puro e verdadeiro entretenimento de terror: é cómico sem nunca cair no ridículo, é aterrorizante como é raro um filme com lobisomens ser, e tem um ritmo absolutamente imperdoável. Entre os lobos criados em efeitos de maquilhagem e o suspense habilmente salpicado de confrontações violentas, cenas de ação surpreendentes e momentos hilariantes de cair para o lado a rir, ‘Lobos’ é uma história tipicamente espanhola, com protagonistas tipicamente espanhóis. Alguns registos de humor sobre a Galiza e o interior de Espanha são fantásticos, e as personagens têm realmente vida. Até no ato final, ‘Lobos’ é uma agradável surpresa ao revelar-se muito menos simpático do que seria de prever para um filme de terror com tanta ação e comédia. Junto com ‘Juan de los Muertos’, o cinema espanhol de terror prova que é a aposta mais segura em termos de diversão terrorífica e sustos para todos os gostos.

O Melhor: A segunda metade, quando descobrimos qual é a segunda maldição.
O Pior: Um pouco mais de orçamento poderia tornar os monstros mais impactantes.
 
 
 José Pedro Lopes
 

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