IFF Cartagena: Machete Language (El lenguaje de los machetes) por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)

Há filmes que são ótimas ideias mas que no final das contas não conseguem sensibilizar ou atrair os espectadores para o seu objetivo primordial. «El lenguaje de los machetes», de Kyzza Terrazas, é um filme muito bem idealizado mas que apesar de conter boas prestações dos seus atores e uma temática relevante, nunca na catapulta para algo mais que o leve interesse.
 
Ray e Ramona são um jovem casal que mantém uma relação há oito anos. Eles odeiam as injustiças e procuram de certa maneira lutar contra isso. Ela canta, ele é um ativista com pretensões poéticas. Mas chamar profissão ao que fazem é demasiado, pois parece que tudo o que faz é um verdadeiro plano B das suas vidas, até porque o mundo em que vivemos recusa-se a ser mais justo. A forma como parecem querer sabotar esse mundo e sabotar-se a si próprios é visível desde o primeiro instante, tal como as duvidas quanto ao que querem, sejam elas ter um filho ou explodir com algo que faça o estado entender a clivagem entre o poder e os que os elegem. 
 
Este é aliás um tema recorrente no cinema atual, pois a sociedade está mergulhada numa crise económica e com constantes atropelos e aniquilações de direitos conquistados. Mas mais importante que estas injustiças, que fazem ambos não saberem bem o que desejam, existe uma sensação constante de insatisfação humana. Esta sensação passa diretamente para nós, que tal como as personagens somos constantemente confrontados com sentimentos contraditórios em relação à película e aos seus protagonistas. Serão eles uns «brancos» mimados que lutam por peso na consciência ou apenas justos que tentam nivelar as coisas para melhor.
 
E se o objetivo do filme era mostrar essa confusão mental, então tudo foi conseguido, mas parece-nos que esta tardia coming-of-age ideológica parece longe de ser suficientemente atraente para nos realmente prender em torno dos seus princípios. Ainda assim, há aqui aquele toque de cineasta que nos faz pensar que no futuro, o nome de Kyzza Terrazas é para seguir.
 
O Melhor: A reta final é tensa
O Pior: Por vezes o filme quer demonstrar a confusão das personagens e mostra-o de forma confusa ao espectador com prejuízo para este
 
 
 Jorge Pereira
 

Últimas