Muito se tem falado de “Frágil”, mais pelo burburinho criado em sessões que se transformaram em protesto, como no IndieLisboa e Turim, do que pelas suas virtudes cinematográficas. Está então na hora de falar nisso, e apenas nisso, pois esta pequena relíquia vinda de Pedro Henrique – cineasta já com várias curtas – merece ser visto numa sala de cinema. Sim, e roubando as palavras de João Botelho na sessão do seu “O Jovem Cunhal”, por aqui temos mesmo Cinema. E Cinema com pupilas dilatadas, onde a uma fulgurante energia se cola a irreverência e desconforto que só encontramos em alguns trabalhos de outros “putos estúpidos” da atualidade, como os irmãos Ben e John Safdie, Harpo e Lenny Guit (de “Fils de Pluc“), e até mesmo Gabriel Abrantes.
Carlos Ramos, programador do IndieLisboa, descreveu “Frágil” no início da sessão como um “Ovni”. No Jornal Público, Jorge Mourinha usou o termo de “happening indiscritível“, e certamente há por aí um outro crítico pronto para o adjetivar de “inclassificável” ou “inenarrável“. Seja qual for a expressão que se use, “Frágil” nasce de uma enorme simplicidade no enredo para nos levar ao inesperado, quais malapatas à “After Hours” desenvolvidas com o algoritmo de criatividade peculiar de Pedro Henrique.
Em “Frágil” seguimos um rapaz que tudo o que quer é ir ao “Club” (uma paródia à discoteca Lux, do porteiro à pista de dança), mas os amigos não estão nessa onda. É por entre afters bem e mal sucedidos, onde não faltam sequências musicais, trips de ácidos e outras drogas, além de rusgas policiais e telefonemas da mãe, que o rapaz acaba por render-se aos lamentos, lágrimas e festas na cabeça, todas programadas pelo realizador, que lhe dá todas as coordenadas.
Absurdo e surpreendente, “Frágil” foi um verdadeiro coelho tirado da cartola do último IndieLisboa, só que ele não é só branco e fofinho, mas aparenta mais ser uma criação de Eduardo Kac. É que em vez de manipulação genética deste “coelho”, temos a cinematográfica, que, com todas as suas fraquezas e virtudes, está pronta para ser amada e odiada por tudo e todos.



















