Só as poucas (ou nenhumas) expetativas de que a Disney poderia fazer algo decente, com uma saga tão violenta e gráfica como o “Predador”, podem explicar a onda de aceitação que este “Prey” (O Predador: Primeira Presa) tem tido um pouco por todo o lado.
Prequela cronológica e quinto filme da franquia “Predador”, cuja única semelhança com o original é a de se passar em zonas naturais (a Floresta tropical da América Central dá aqui lugar às pradarias e bosques das Grandes Planícies dos EUA), em “Prey” estamos em 1719 e seguimos uma jovem comanche (Amber Midthunder) que procura ganhar o respeito da sua comunidade confrontando o intrépido predador alienígena introduzido no cinema em 1987.
Assinado por Dan Trachtenberg, responsável pelo curioso “10 Cloverfield Lane”, “Prey” é uma história de amadurecimento e superação juvenil à la Disney em ambiente nativo norte-americano, onde não falta o exotismo do costume no tratamento da espiritualidade índia, e a forma quase telenovelista da exploração das relações e nos mecanismos de afirmação feminina perante uma comunidade (espécie de “Mulan“, se formos a ver). A única mais valia do filme até nem será propriamente cinematográfica, revelando-se antes em termos de diversidade do elenco, uma vez que é nos papeis de maior destaque que encontramos descendentes de nativos americanos. Porém, a própria protagonista, Amber Midthunder, é uma heroína improvável – que tantas vezes faz lembrar Summer Glau, com traços de personalidade das princesas da Disney – com várias lutas em paralelo. Uma delas, claro, pela própria sobrevivência perante a ameaça de uma entidade que gosta de vir caçar à Terra, mas outra ainda maior, e que passa pela afirmação pessoal enquanto figura relevante da comunidade como mulher.
A este arranjo narrativo essencialmente derivativo, acrescente-se um uso excessivo de efeitos especiais gerados por computador (que na disposição dos animais é extremamente artificial) e uma direção de fotografia demasiado polida, às vezes académica, que nos aliena de qualquer forma crua de explorar a ação e as personagens, tornando as sequências de luta irremediavelmente em cópias plastificadas de tudo o que se tem feito nos últimos anos no género.
No mais, quando surge em cena um grupo de caçadores franceses condenados, o filme dá o seu derradeiro salto para o abismo, entrando num loop criativo extremamente previsível e que culmina numa cena final denunciada, num desenlace que se topa a léguas.
Feitas as contas, a montanha pariu um rato e o novo “Predador” é apenas o enésimo modelo vendido por atacado pela Disney, cuja única vantagem é algum refrescar conceptual (colocar o Predador num filme de época em ambiente nativo americano), acabando por manter o mesmo modelo industrial bolorento de sempre, agora sob a capa da superação e afirmação pessoal.




















