Críticas de Sundance : ‘Reagan’ ultrapassa a barreira do ícone e apresenta o homem

(Fotos: Divulgação)

Um dos maiores problemas dos documentários e das cinebiografias sobre personagens mundiais é frequentemente caírem no erro de falarem dos ícones, e não dos homens. Ainda há uns anos atrás, Steven Soderberg trouxe ao cinema o seu “Che Guevara”, mas tudo o que esteve no nosso campo de visão foi um ídolo e uma pessoa de frases feitas, bonitas em status das redes sociais, mas que aprofundam muito pouco a verdadeira essência do objecto de estudo.

“Regan” felizmente não segue esse caminho, e mais do que contar os eventos marcantes da vida de um dos mais importantes líderes mundiais do século passado, o documentário apresenta o homem arrojado, comunicador, bem colocado, mas com demasiados paradoxos nas suas atitudes, na maioria conservadoras, como as que teve com o fechar de olhos aos casos de Sida que golpearam a América nos primórdios da doença. Uma das maiores curiosidades é descobrir que Ronald e Nancy Reagan  tentaram que a “estranha doença” fosse uma das prioridades da sua legislação, que só com a morte da Rock Hudson acordou para a situação. Curiosamente, o mesmo homem amnistiou mais de 2.5 milhões de imigrantes ilegais, tendo mesmo um percurso sindical quando presidiu o Screen Actors Guild.

As suas transições estão também fortemente destacadas, como a decadência da carreira de actor, o trabalho na General Electric e a ascensão ao poder, coisa que nunca teria acontecido sem Nancy.

 
Em suma, se pensam que conhecem tudo sobre Ronald Reagan estão muito enganados, e este documentário é dos mais conseguidos nos últimos anos no que toca a focar a vida de um homem que se tornou uma das mais importantes personalidades do século XX.
 
★★★★☆ Lauren Boyd 

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