Opinião: Kevin Smith Vs Críticos de cinema, por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)


“The Funniest Movie of The Year” (O filme mais engraçado do ano) vê-se na capa da edição em DVD de ‘Clerks’, o primeiro filme de Kevin Smith e que o lançou para uma carreira promissora. As palavras eram de um crítico do NewYork Newsday, e claramente não incomodaram o cineasta, nem a sua distribuidora, que colocou a frase e mais algumas criticas na capa do DVD.

Porém, e desde que “Cop Out” saiu nos cinemas e foi dizimado pela crítica, Smith parece revoltado e tem destilado veneno no twitter contra os críticos.

Um dos principais pontos de partida de Smith é que ele acha que os críticos deviam pagar bilhete como toda a gente para ver os filmes. O seu argumento é que os críticos estão a fazer apenas o seu trabalho e que por vezes são obrigados a ver um filme que não lhes diz absolutamente nada, e lá terão de fazer o esforço, dando notas negativas por isso. Para além disso, Smith adianta que não necessita da exposição da crítica para os seus filmes, pois ele consegue chegar aos seus fãs através de diversas formas, como o twitter. Ele até diz que tem mais visitas que muitos jornais e acrescenta que preferia mostrar o seu trabalho a 100 fãs e que estes escrevessem críticas, mesmo não tendo jornais.

O discurso contra os críticos é normal no mundo do cinema, especialmente em tempos de crise criativa, algo que tem afectado bastante as últimas obras de Smith. Pessoalmente eu sou fã deste cineasta.

“Clerks” e “Chasing Amy” para mim são brilhantes, “Mallrats” é um “silly movie” como ele descreve, mas com muita piada. A partir daí o seu trabalho tem vindo a cair em redundâncias (“Clerks 2”), discurso repetitivo (“Zach and Miri do a porno”), colectâneas das melhores piadas (“Jay and Silent Bob Strike Back”), e verdadeiras obras medíocres (“Jersey Girl” e “Cop Out”).

Esperemos que Kevin Smith reencontre as raízes do seu trabalho e abandone o seu Silent Bob, que ia a casa de críticos para os espancar (‘Jay and Silent Bob Strike Back’), e se concentre no seu trabalho, nas suas ideias e nas suas raízes, senão acaba por se espalhar ao comprido na  competitiva industria do cinema e talvez até acabe a dormir num sitio bem desconfortável (e sim, pode bem ser na parte de trás de um Volkswagen).

Esperemos que tal não aconteça e que “Red State” devolva a Smith o aquilo que os seus primeiros filmes lhe deram: o estatuto de cineasta de culto.

E já agora, essa coisa do preferir mostrar a 100 fãs os seus filmes do que aos críticos é estilo o Obama preferir que só os democratas possam votar…Absurdo…
 
Quanto a críticos obrigados a ver filmes, desconheço isso, mas na volta ainda alguém cria um sindicato para proteger essas pobres vítimas…
 
Jorge Pereira

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