Quando os dinossauros andavam sobre a terra: “Laurel Canyon”

“Laurel Canyon – a Place in Time” tem sessão a 26/08 na Culturgest.

(Fotos: Divulgação)

Laurel Canyon – a Place in the Time” é um documentário que conta a história de um local mítico de Los Angeles por abrigar pela vizinhança alguns dos artistas que compuseram a mitologia do “rock” americano.

Tudo começa com “Mr. Tambourine Man” e a eletrificação do “folk” – culpa da “british invasion” liderada pelos Beatles. Imediatamente as jovens bandas da América passaram a ligar as suas guitarras na ficha e coube aos Byrds, sobre os quais de certa forma planava o fantasma de Bob Dylan, a aproveitar uma canção do mestre para ser ponta de lança de uma nova era no “rock” americano.

Muito do que veio a seguir emergiu deste bairro afastado do centro de Los Angeles e procurado pelos músicos em função das baixas rendas. Crescendo dentro de um grande espírito comunitário típico dos 60s, uma das maiores bandas foram os Buffalo Springfield, que abrigava Stephen Stills e o génio de Neil Young; mais tarde voltariam a reunir-se com um demissionário dos Byrds (David Crosby) e outros dos britânicos Hollies (Graham Nash) para formar um dos grandes emblemas do “folk rock” “yankee”, Crosby, Stills, Nash & Young.

Para além de Joni Mitchell ainda no âmbito “folk“, Laurel Canyon também abrigou Frank Zappa os seus Mothers of Invention, um dos homens mais reverenciados da indústria e que lançou por lá o seu próprio negócio, o selo Bizarre. O primeiro álbum que lançou foi a estreia de Alice Cooper, que conta com pormenores deliciosos o surgimento da efeméride. 

Os Love de Arthur Lee, por seu lado, relatam como deram um tiro no pé ao tentar livrar-se de um contrato com a Elektra insistindo para que eles contratassem um outro grupo que andava pelo “Troubador”, o bar onde todos tocavam, e que era mal visto porque seu vocalista era tão explosivo quanto bêbado – uns tais de Doors liderados por Jim Morrison. A presença dos Mamas and Papas, que instituem o “matriarcado” de Mama Cass na vizinhança, encerra a parte luminosa da história.

O interesse cai com a nova geração a ocupar Laurel Canyon no início dos 70s e Jackson Browne, Bonnie Rait, os Eagles e a cantora “country” Linda Rondsdat tomam o ecrã. Uma nova era é anunciada pelos assassinatos na casa de Sharon Tate a mando de Charles Manson (“os ‘hippies’ passaram a ser vistos como ‘psycho killers’”, diz um dos narradores) e pela catástrofe de Altamont. Ainda assim, há oportunidade para uma mais uma presença luminosa dos Doors antes de outro episódio simbólico – a morte de Jim Morrison, enterrado sobre as árvores de Père Lachaise não distante de Balzac, Proust e Oscar Wilde. 

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