‘House of Wax 3d 1953’ revisto no ‘Curtas’ por Gustavo Leal

(Fotos: Divulgação)

 

 

No início do século XX, uma luta entre o professor Henry Jarrod (Vicent Price) e o seu sócio, Matthew Burke (Roy Roberts) incendeia o museu de cera, Jarrod torna-se um escultor louco desfigurado, reabre novamente a casa de cera mas com características diferentes, assessorado por investidor um capitalista, um ex presidiário e um surdo mudo fortalhaço. A casa especializa-se em crimes famosos e macabros, sendo que os objectos apresentados, não são esculturas, mas corpos humanos, que o professor e os seus assistentes se encarregam de assassinar e assim os apresentar ao público.

A casa é um sucesso gigantesco e a população de Nova York acorre a sua abertura. Mas nem tudo vai bem na vida deste professor, falta-lhe a sua Maria Antonieta, a sua obra-prima que tinha ardido na casa de cera de que era proprietário. Encontra-a na figura de Sue Ellen (Phyllis Kirk), cuja melhor amiga Cathy Gray (Carolyn Jones) tinha sido morta pelo professor Jarrod.

A maior parte do filme passa-se dentro do museu de cera, que é um autêntico cemitério, algo de extremamente mórbido, onde adultos e crianças se divertem, uma autêntica feira de diversões, aqui representada, logo na inauguração do museu, pelo malabarista que brinca com as bolas de pingue-pongue. Aqui as personagens confundem os vivos com as personagens de cera e todos eles estão iludidos pois não vêm o que lhes rodeia.
É um filme macabro que se pode facilmente comparar com “Texas Chainsaw Massacre” ou “Holocausto Canibal”, mas que de certa forma se esconde numa aparência que engana tantos as personagens, como nós espectadores.
A fotografia do filme é algo de “viscoso”, difuso combinando o vermelho com o amarelo e o preto da noite. Parece que estamos a dormir e a sonhar com um pesadelo.

E isto ainda se pode tornar mais tenebroso, porque por um lado temos uma personagem como um professor, admirado e respeitado pela sociedade e que com um evento que modifica a sua vida torna-se um “serial killer”, ao mesmo tempo que mantém a fachada da respeitabilidade, algo que é perfeitamente possível e até frequentemente acontece na nossa época, levando-nos talvez aos limites da perversidade humana.

Neste filme também é curioso ver o fascínio que Homem, que por um lado é extremamente sensível, se vê no filme, onde as mulheres se assustam e até chegam a desmaiar pelas brincadeiras de ping pong e por outro lado se fascinam pelo horror que está a frente dos seus olhos.
 

Pessoalmente não sou um grande fã de cinema em 3D, os óculos são demasiado pesados, cansa-me a vista e sinceramente a maioria dos 3D’s que estão nas nossas salas são uma forma simples de aumentar facturação e por isso os 3D’s são geralmente forçados e de má qualidade. Mas adorei ver este “House of Wax”, nestas condições pois realmente coloca-nos no meio da acção parece que estamos na sala com estas personagens e a viver o mesmo que elas, algo que nem sempre é perceptível no cinema contemporâneo, mas que também devido a cadência de planos mais lenta e que nos permite realmente ver o plano, para além disto o filme foi propositadamente para este tipo de projecção. O filme apesar de antigo, veste-se com uma roupagem diferente e com a simplicidade de uma bola de pingue-pongue que entra pelo olho adentro e acaba por ser mais simples e realista do que muitas gotas de sangue, hambúrgueres e facas que começamos a ser “aculturados” a ver.

No fundo este filme tem tudo aquilo que um clássico deve ter uma história intemporal que nos toca nos nossos sentimentos mais profundo, neste caso um pesadelo saboroso que nos desperta determinadas emoções escondidas como sempre no nosso âmago.

O melhor: A história do filme, bem filmado, com imensas analogias, muito interessante.
O pior: Alguns dos actores, nomeadamente os femininos não estiveram no seu melhor.

A base: Um clássico é sempre interessante e intemporal; 9/10

Gustavo Leal

 

 

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