BFI recebe a mostra “Brazil on Film”

(Fotos: Divulgação)

De Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964) a Manas (2024), o Brasil vai ocupar um dos ecrãs mais lendários de Londres, o espaço cultural do British Film Institute (BFI), em Southbank, entre 1 de Maio e 30 de Junho. Uma maratona de títulos em língua portuguesa, falada com sotaques do Amazonas ao Rio Grande do Sul, integra a mostra Brazil on Film, uma ampla temporada dedicada ao cinema brasileiro que decorrerá durante dois meses nas margens do rio Tâmisa.

A retrospectiva integra a programação oficial da UK/Brazil Season of Culture 2025–26, iniciativa conjunta do British Council e do Instituto Guimarães Rosa, concebida para reforçar o intercâmbio cultural entre os dois países. Esta ocupação do BFI surge num momento de renovada atenção internacional ao cinema brasileiro e propõe um panorama histórico que atravessa quase um século de produção, de 1931 até à actualidade. No total, serão exibidos mais de 40 títulos, incluindo obras canónicas, filmes distinguidos, raridades restauradas e produções contemporâneas, oferecendo ao público britânico um retrato abrangente da evolução estética, política e social desta cinematografia.

A curadoria do programa ficou a cargo de Renata de Almeida e Adriana Rouanet, que estruturaram a proposta como uma viagem por diferentes momentos de rutura e renovação, desde o cinema experimental das primeiras décadas, passando pelo Cinema Novo, pelo período da ditadura, pela Retomada dos anos 1990 e pelas vozes emergentes do século XXI. Entre os destaques da programação encontram-se obras fundamentais como Limite (1931), de Mário Peixoto, e Também Somos Irmãos (1949), de José Carlos Burle.

O programa inclui ainda sessões dedicadas ao Cinema Marginal, com A Margem (1967), a documentários políticos, como Cabra Marcado para Morrer (1984), e à produção popular de grande impacto junto do público, compondo um mosaico que reflete a diversidade temática e estética da cinematografia brasileira. As curadoras terão uma conversa no dia 12 de Maio, seguida de uma sessão de Terra Estrangeira (1995), de Daniela Thomas e Walter Salles. Haverá ainda um resgate das longas-metragens do argentino Hector Babenco (1946–2016), naturalizado brasileiro na década de 1970, assinalando os 80 anos do seu nascimento e os dez anos da sua morte. O Beijo da Mulher Aranha (1985), que lhe valeu uma nomeação ao Óscar de Realização, integra a programação.

A animação distinguida em Annecy O Menino e o Mundo (2013) terá também espaço no BFI, assim como a aventura infantojuvenil Chico Bento e a Goiabeira Maraviosa (2025). O terror marcará igualmente presença, com sessões dedicadas à obra de José Mojica Marins, falecido em 2020.

No plano digital, a selecção disponibilizada no BFI Player permitirá explorar títulos adicionais fora do circuito presencial, consolidando o evento como uma das mais extensas retrospectivas de cinema brasileiro alguma vez apresentadas no Reino Unido. Os bilhetes para as sessões de Maio estarão disponíveis a partir de 7 de Abril para patronos do BFI, a partir de 8 de Abril para membros e a partir de 10 de Abril para o público em geral.

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