Cinco anos depois de ter integrado o júri da Berlinale à distância — impedido de viajar para Berlim devido à pandemia e, sobretudo, à proibição imposta pelo seu governo — o iraniano Mohammad Rasoulof regressa ao festival esta quinta-feira para participar no ciclo Conversas, ao lado do compatriota Jafar Panahi. Ambos são considerados inimigos do Estado iraniano.
Apesar da perseguição, Rasoulof foi nomeado para o Óscar com The Seed of the Sacred Fig, distinguido com o Prémio Especial do Júri em Cannes em 2024, e venceu o Urso de Ouro na Berlinale em 2020 com There Is No Evil. Condenado pelas autoridades do seu país, encontrou refúgio na Alemanha, onde chegou clandestinamente, atravessando fronteiras sem visto. É aí que se mantém protegido da repressão estatal.
“Vive-se uma rotina permanente de controlo pelo medo no Irão”, afirmou Rasoulof ao C7, numa entrevista organizada pela Golden Globe Foundation.
A conversa com Panahi deverá centrar-se na questão do poder. “Sempre que o patriarcado perde terreno, a brutalidade governamental no Irão intensifica-se”, afirma o realizador. “Sou influenciado por filmes que exploram a paranoia e captam o pânico que nos rodeia.”
Aos 53 anos, natural de Xiraz, Rasoulof viu-se forçado a abandonar o país para poder continuar a expressar a sua visão artística no circuito internacional. O seu passaporte foi confiscado pelas autoridades iranianas, que o consideram uma ameaça à integridade nacional.
“Quando fomos a Cannes, todos os membros da equipa foram interrogados pelas autoridades e o meu ator principal, Missagh Zareh, teve de sair do Irão”, explicou o realizador. Já tendo estado preso anteriormente, conhecia formas alternativas de fuga, que o levaram à Europa. “No meu país, a repressão é um mecanismo de manutenção da ordem.”
A Berlinale decorre até ao dia 22.


