Orphan: a nova viagem histórica de László Nemes

(Fotos: Divulgação)

Quando lançou Son of Saul (O Filho de Saul, 2015) e Sunset (Crepúsculo, 2018), o cineasta húngaro László Nemes revelou imediatamente o seu interesse particular em olhar para as experiências humanas e individuais em períodos de rutura histórica. No primeiro caso, ele ambientava o seu filme durante o Holocausto. No segundo, levou-nos até ao crepúsculo do império austro-húngaro. Em 2025, ele regressa com um novo objeto de época, Orphan, na competição ao Leão de Ouro no Festival de Veneza.

Nemes transporta-nos para Budapeste em 1957, logo após a insurreição fracassada contra o regime comunista. Andor, um jovem judeu criado pela mãe com histórias idealizadas sobre o pai falecido, vê o seu mundo desmoronar quando surge um homem que afirma ser o seu verdadeiro pai.

Segundo o realizador, na sua nota de intenções, Orphan é a crónica de uma criança a confrontar-se com a sua própria história familiar e identidade, refletindo as convulsões do século XX no coração da Europa. “O que podemos fazer como cineastas é contar histórias humanas”, afirmou Nemes na conferência de imprensa dedicada ao filme em Veneza. “O cinema está em risco de perder relevância com os avanços tecnológicos, mas se deixarmos de contar as grandes histórias, condenamo-nos ao declínio. O cinema não é um entretenimento de elite. Foi sempre popular, capaz de tocar a alma do público. Se o abandonarmos, perdemos essa ligação.

Confessando a sua atração por temas históricos, o realizador rejeita a ideia de fazer “filmes-postal” do passado; “Estudei História e sempre tive uma ligação emocional com ela. A minha avó foi a minha primeira ponte: nasceu em 1914, viveu o século inteiro. A sua vida mostrava a promessa e a destruição do século XX. Também fez más escolhas, mas isso é profundamente humano. Quero trazer o público a esse nível, porque hoje, com a internet, achamos que sabemos tudo e julgamos. O cinema, pelo contrário, permite testemunhar sem julgar.”

Questionada sobre o facto de o filme remeter para a Europa do pós-guerra e, ao mesmo tempo, dialogar com o presente, a produtora Ildikó Kemény afirmou que Orphan é uma história profundamente húngara, ligada à família do realizador, mas com alcance internacional. “Hoje, com guerras sem sentido a acontecer à nossa volta, vemos como estas histórias podem repetir-se. Por isso sentimos que era importante fazê-lo desta forma.

O Festival de Veneza decorre até 6 de setembro.

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