Inserido na série antológica “Small Axe“, com assinatura do vencedor do Oscar, Steve McQueen, “Mangrove“ foi o primeiro exibido de cinco filmes – “Lovers Rock“, “Education“, “Alex Wheatle” e “Red, White and Blue“ – produzidos pela BBC que são “baseados em eventos reais, com pessoas comuns que mostraram coragem, crença e resiliência para superar a injustiça e alcançar algo transformador na sua comunidade.”
Difícil avaliar “Mangrove” – um filme de tribunal onde o racismo e a liberdade de expressão se cruzam num embate racial – como uma série, pois toda a sua linguagem é a de cinema, mesmo que ocorra, grande parte do tempo, em sequências interiores, primeiro no nome do restaurante que dá nome ao filme, e depois no palácio da decisão judicial.
Em foco neste pedaço bem incorporado na obra de McQueen. onde se incluem “Hunger”, “Shame”, “12 anos escravo” e “Viúvas” – está a forma como um grupo de ativistas negros, conhecidos como os Mangrove Nine, foram julgados por incitar um motim num protesto, em 1970, contra um ataque policial ao restaurante Mangrove, em Notting Hill, no oeste de Londres.
Para quem viu o recente “Os 7 de Chicago”, de Aaron Sorkin, “Mangrove” vai sentir-se como um espelho de formas, procedimentos e sensações, já que acompanhamos o extenso julgamento do grupo, que durou 55 dias, num processo que se tornou o primeiro a reconhecer judicialmente o comportamento motivado por ódio racial dentro da Polícia Metropolitana de Londres.
É inegável a garra, paixão e relevância social e cultural por todo este “Mangrove”, bem como uma exemplar direção artística, particularmente no design de produção, um guarda-roupa preciso e uma banda-sonora absorvente, mas isso não o salva, mesmo com interpretações marcantes, especialmente de Letitia Wright (BLack Panther) como Atheia Jones-LeCointe, e Malachi Kirby como Darcus Howe, de ser um produto desgastado pela sua forma de “crowd-pleaser” político pós tribunal, sem uma aproximação e precisão exímia – ou além do superficial – aos peões em jogo.
Mas um McQueen é sempre um McQueen, e aqueles planos, palete de cores, energia e detalhes (como uma fotografia do rebelde jamaicano Paul Bogle) são marcas do seu cinema, agora vestido de televisão no formato série limitada.



















