Por esta altura, já soa redundante desfazer-me em elogios à atriz Laure Calamy, um dos nomes mais vincados no panorama do cinema francês atual, capaz de “carregar um filme às costas”. Como se viu em “Antoinette dans les Cévennes“, “Une Femme du Monde“, “Annie colère”, “À plein temps” e “Mon Inséparable”, entre o drama e a comédia, ela é capaz sempre de mostrar uma imagem de uma mulher moderna, ou à frente do seu tempo, onde os turbilhões da vida quotidiana, alicerçados maioritariamente em expetativas impostas, são espelhados nos seus conflitos internos. Não é diferente em “Iris e os Homens” (Iris et les hommes), uma comédia dramática ligeira que chama à equação o desgaste dos casamentos e a monotonia das relações em tempos de Tinder.
Logo a abrir são nos dadas todas as cartas. Iris, uma dentista, queixa-se a uma conhecida do colégio, onde a filha estuda, que há muito tempo que o marido, Stéphane (Vincent Elbaz), com quem está junta há 16 anos, não demonstra interesse sexual nela. Vamos descobrir mais tarde que há quatro anos não têm relações sexuais, algo que incomoda Iris, cujos desejos naturais vão sendo reprimidos. O conselho que Iris recebe é que aceda ao Tinder, ou a uma outra aplicação de encontros, onde poderá encontrar alguém, um amante, que a possa novamente fazer “sentir-se” viva. Apesar de alguma desconfiança ao início, Iris embarca nessa aventura, conhecendo homens atrás de homens com quem terá relacionamentos casuais, nunca estando em cima da mesa a hipótese de se separar do marido.
Caroline Vignal, a realizadora com quem Laure filmou “Antoinette dans les Cévennes“, tenta (mas não consegue) fugir aos mais diversos estereótipos, e aposta mesmo na simplicidade na sua tentativa de captar o real nos diversos encontros de Íris com os homens (e não fazer desses encontros farsas cómicas). O que acontece nessa demanda é que, além de muitas vezes cair na repetição e criar figuras passageiras ocas, que adormecem e entediam o espectador, a cineasta não consegue sair do reino do superficial neste seu novo estudo sobre desejo e amor.
Não ajuda a forma como a personagem de Stéphane (Vincent Elbaz) é tratada, ou seja, a de mera marionete desinteressada sem qualquer tipo de aprofundamento, pois esse destrato não afeta apenas a questão reflexiva que o filme pretende ter, mas a própria riqueza da personagem de Iris, os seus dilemas, e resoluções. E quando, no fim, a cineasta tenta espelhar em Stéphane o que tínhamos até então visto em Iris, tudo soa demasiado simplório e até moralista, numa espécie de conto moderno do “viveram felizes para sempre”, cada um com os seus amantes.





















