Três filmes convivem em absoluta desarmonia em “I’Le Rouge” (A Ilha Vermelha), enfadonha longa-metragem de regresso de Robin Campillo depois do fenómeno “120 Batimentos Por Minuto” (Grande Prémio do Júri de Cannes de 2017), sendo que o terceiro desses hemisférios só aparece nos minutos finais.
Em lume brando, o cineasta aquece a água do memorialismo no calor da fotografia elegante de Jeanne Lapoirie. O seu colorido plural é o único artifício técnico que utiliza com destreza. A montagem é banal – e maçadora – e o guião aposta num formato de painel, num empenho de abarcar várias personagens, sem se aprofundar em nenhuma. Para piorar, falta eixo na escolha dos enredos que guiam a dramaturgia, que só parece se ancorar em algum polo sólido quando deixa o núcleo central de lado para se concentrar na celebração dos povos originários de Madagáscar – cenário da trama – em função de uma vitória nas lutas de emancipação.
Campillo elaborou o filme como um estudo do ranço colonialista nas regiões insulares da África. Adota como espaço geográfico central uma base militar onde um rapaz, Thomas (Charlie Vauselle), observa a dissolução dos sonhos de felicidade da família e amigos. A mãe, vivida por Nadia Tereszkiewicz (em delicada atuação), é o elemento mais sólido do universo de tipos que o realizador esboça. O pai, Roberto (papel de Quim Gutierrez), também tem lá as suas nuances. Mas o sistema de elipses adotado na escrita do filme impede que os conflitos internos deles sejam explorados.
Esse núcleo de soldados e agregados é o primeiro filme. O segundo, de tom fantástico, aborda a imaginação de Thomas acerca de uma super heroína em quem ele se projeta: a vigilante Fantômette. É o terço mais lúdico de uma longa-metragem confusa, que se afoga na ingenuidade ao cartografar um processo imperialista histórico.




















