“Adolescentes” e “Josep“, duas obras atualmente em exibição no My French Film Festival, foram distinguidas com o Prémio Louis Delluc de melhor filme e melhor primeiro filme, respetivamente.
Criado em 1937, o prémio é atribuído por um grupo de personalidades e críticos do cinema francês em homenagem ao jornalista, argumentista e cineasta Louis Delluc, considerado o “pai espiritual da crítica de cinema“.
“Adolescentes“, assinado por Sébastien Lifshitz, é um documentário que traça um retrato de Emma e Anaïs, duas adolescentes cujo realizador conheceu e filmou dos seus 13 anos até à maioridade (18 anos). Das conversas sobre os miúdos bonitos da escola, até conflitos com os pais, passando por discussões à volta da sociedade francesa da última década, onde não falta o seu olhar aos atentados terroristas e às eleições presidenciais do país, o filme traça de uma forma muito curiosa um retrato da adolescência. Gilles Jacob, presidente do júri do Prémio Louis-Delluc, saúda “a exatidão” do retrato: “Sébastien Lifshitz reuniu cerca de oito horas de filme para fazer duas horas, mostrou a província francesa como poucas pessoas mostraram, juntando-se assim a Raymond Depardon ou Nicolas Philibert, que também são grandes documentaristas.“

Já o prémio de primeiro filme foi para “Josep“, uma animação realizada pelo autor de banda-desenhada Aurel que conta a vida do cartunista Josep Bartolí durante a Guerra Civil Espanhola, quando foi enclausurado num campo de concentração francês após a fuga ao regime de Franco. A relação de Bartolí com Frida Kahlo está também em foco no filme. “É um filme sobre exílio e é um filme sobre o fascínio da memória, no sentido de que uma recordação amorosa leva aquele desenhista a uma libertação do horror ao seu redor e ao desejo de seguir em frente“, explicou Aurel ao C7nema numa entrevista em torno do filme.
“Adolescentes” e “Josep” sucedem a “Jeanne“, de Bruno Dumont, e “Vif-Argent” de Stéphane Batut, os vencedores deste prémio em 2019.

