Takashi Miike: “A indústria cinematográfica japonesa está a morrer lentamente”

(Fotos: Divulgação)

Takeshi Miike está no Festival de Cinema de Macau para apresentar o seu First Love

O realizador japonês Takashi Miike (Audition, Ichi The Killer) afirmou à Dealine no Festival de Macau que a indústria japonesa de cinema está a morrer lentamente, vincando aquilo que já tinha dito em San Sebastián sobre a cada vez menor apetência dos produtores nipónicos apostarem em filmes onde a Yakuza está em destaque: “Os filmes da Yakuza estão em perigo de desaparecer. Os jovens procuram histórias de amor leves e animé, e os cineastas perderam a coragem de arriscar. A indústria cinematográfica japonesa está seguramente a morrer lentamente. Por isso, meti a Yakuza em tumulto no meu novo filme [First Love] como uma forma de proteger a diversidade

Sobre o surgimento do streaming e como isso está a afetar a industria de cinema no Japão, Miike afirma que não há dúvidas que a chegada das novas plataformas fez tremer a indústria tradicional, a qual, segundo ele, “não sabe bem como reagir“. Já como isso afeta o seu trabalho, o realizador relembra que os seus primeiros trabalhos foram diretamente para vídeo e que, por tal, a mudança é apenas do analógico para o digital.

Finalmente, Miike mencionou ainda do facto de nunca ter tido apoio governamental para os seus filmes, de trabalhar frequentemente em coproduções internacionais, e explicou que Audition é provavelmente o seu filme mais marcante, a quem deve mais “um senso de gratidão e não orgulho“.

Recorde-se que em First Love, Miike conta a história de um pugilista que se cruza no caminho com uma jovem obrigada pela Yakuza a prostituir-se para pagar uma dívida do pai. Com ação, humor e violência (cabeças a rolar), a obra surpreende ainda na sua ponta final ao mostrar uma sequência de ação com automóveis num registo de animação. 

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