O Grande Prémio do Júri em Cannes 2011, “O Miúdo da Bicicleta”, estreia hoje, dia 22 de Dezembro

(Fotos: Divulgação)

 

“O Miúdo da Bicicleta”    
Jean Pierre e Luc Dardenne, irmãos e donos de uma mise en scène muito própria, invadem algumas das salas de cinema portuguesas, dia 22 de Dezembro, com o seu último filme,  galardoado em Cannes 2011, “O Miúdo da Bicicleta” (tradução portuguesa de “Le Gamin au Vélo”).
Nascidos na Bélgica, os Dardenne começaram a fazer cinema, no sentido laico do verbo, e enquanto duo de realizadores, na década de 70. Iniciaram-se não só na ficção, mas também em experiências documentais. Só por volta da década de 90 é que lhes foi cedido o reconhecimento no meio e na crítica de cinema. Esse salto para a ribalta foi dado com “La Promesse” (1996), iniciando assim um caminho que viria a pô-los no pedestal da vanguarda e do próprio reconhecimento do cinema belga contemporâneo.
Com “Rosetta” (1999) e “L’enfant” (2005) conseguiram conquistar, para cada um, as palmas de ouro de Cannes, nesses mesmos anos, sendo os únicos realizadores belgas a conseguirem ganhar este mesmo prémio, tão ambicionado por todos.
 
Acrescentando mais dois filmes à sua filmografia mais conceituada, “Les Fils” (2002) e “Le Silence de Lorna” (2008), o estilo fílmico, interpretativo e temático dos Dardenne repete-se, e o eco que fica é a continuidade do seguinte. Todos os filmes são uma filiação do anterior, onde alguma crítica diz mesmo que estes “insistem em fazer o mesmo filme”, podendo, por um lado, ser visto como a continuação leal de um trabalho, e por outro, um aborrecimento e a não capacidade de estes se subverterem a si próprios.
 
Jean Pierre e Luc Dardenne  
Emergem por retratar no ecrã, e isto quase sempre numa personagem feminina, com algumas excepções, a classe baixa que coabita num lado mais escuro da Bélgica. Sempre fiéis ao seu realismo cinematográfico filmam, de câmara ao ombro, em planos longos e agitados, todos os sobressaltos das suas personagens, normalmente interpretadas por actores não profissionais.
 
As suas temáticas têm o mesmo corpo em cada filme: jovens à margem da sociedade, desempregados (e a sua luta desenfreada por um emprego), moradores de abrigos ou de parques de rolotes, a família (ou a falta desta), em flash: através de meios descompensados, retratam aquilo a que chamamos o drama social. Os filmes dos Dardenne parecem sempre possuir uma equação simples, mas no fundo o que eles conseguem fazer é montar uma fábula naturalista. Para eles, a textura simples e manual do trabalho, é como algo espiritual.
Com este seu último filme, os irmãos Dardenne tentaram buscar a sua terceira Palma de Ouro em Cannes 2011, já que sairam sempre de lá premiados. Foram congratulados com o Grande Prémio do Júri, juntamente com o filme de Bilge Ceylan, “Once Upon a Time in Anatolia”. 
 
http://www.youtube.com/watch?v=Ce3t1YIYokY 
 
Morgana Gomes 

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