De acordo com o Screen Daily, Richard Rionda Del Castro, da Marco Polo Production, e Gilles Thompson, da Acteurs Auteurs Associés, vão juntar esforços para produzir uma sequela de «Doberman», um filme de culto francês originalmente realizado por Jan Kounen.
Vincent Cassel (Cisne Negro), que interpretava o papel principal no filme de 1997, está em negociações para voltar a protagonizar a obra, que se chamaria «Doberman: Bras de Fer».
Quem está já confirmado é Tchéky Karyo, o inspector da policia que tenta a todo o custo capturar Yann Le Pentrec (Cassel).
As filmagens vão começar em 2012, estando o orçamento em torno dos 25 milhões de Euros.
Sobre o «Doberman» original
Violento, electrizante e sexy são as palavras que melhor podem definir “Doberman”, um ‘orgasmo’ visual de Jan Kounen.
Estavamos em 1997, na era pós Tarantino. Utilizando uma visualidade semelhante a este autor, que funde realidade e universo BD, Kounen adapta uma obra sobre o criminoso do século XXI.
Vincent Cassel (Irreversible) é Dobermann, um ladrão de bancos que recebeu a sua primeira arma no dia do baptismo. Ao seu lado encontramos Monica Belluci no papel de Nat – a cigana- uma mulher surda. Depois há outras personagens, cada uma com a sua “pinta” e personalidade muito caricata. São inegáveis as ligações a “Reservoir Dogs” ou “Trainspotting” nesta equipa de assaltantes. São um pouco como nas Bandas Desenhadas com mais que um herói. As suas armas e vestes ditam a sua unicidade e poder. Assim temos o religioso, o fanático por cães, um nervoso sádico e um travesti que, juntamente com Nat e Dobermann, preparam mais um golpe.
Mas o cerco aperta-se ao Gang quando um sádico polícia os quer capturar de qualquer maneira. Christini (Tcheky Karyo de “Goldeneye “) é um agente capaz de tudo para atingir os seus objectivos. Não há moralidade presente na sua personagem e o objectivo é deter o gang e principalmente o famoso Dobermann.
Somos então conduzidos para um desenrolar de acções no mínimos soberbas em termos de visualidade. Associada a esta temos uma poderosa banda sonora electrónica, com batidas de bandas como Prodigy. Na altura em que saiu o filme foi considerado como ofensivo, provocatório e imoral. Na Noruega, por exemplo, houve mesmo uma interdição da sua exibição. Verdade seja dita, o filme é bastante violento física e psicologicamente. O aspecto físico da questão é facilmente ultrapassável visto haver um exagerado tratamento visual da acção. Já a violência psicológica é mais complicado. Há uma sequência em que Christini, para descobrir o paradeiro de Dobermann, abusa de uma família burguesa (a típica francesa onde a hipocrisia reina) ao estilo de “Funny Games”.
Mas não é apenas a violência que poderá afectar o espectador (normal). A ausência de moral e o sentido provocatório são aspectos, como já disse, a ter em conta. Não há lições, nada a extrair do filme e o que temos é um “heist” movie com elementos que inspiraram certamente Guy Ritchie em «Snatch». A certo ponto, a provocação chega aos próprios críticos de cinema. Um dos homens de Dobermann defeca no meio de uma rua movimentada. A única maneira de ele se limpar é com uma revista francesa especializada em cinema. A revista em questão é “Cahiers du Cinema” e especialmente um artigo da altura que falava dos novos realizadores gauleses. Uma ferroada sem charme mas bem conseguida.
Outra referência que se tem de fazer é a pitadas de “Natural Born Killers”, uma das obras malditas de Oliver Stone. Mas “Dobermann” vai noutro sentido. Aqui não há verdadeiras mensagens ou uma tentativa de interagir com espectador a não ser pela provocação e inteligência electrizante da acção.
Aqui ficam os 2 primeiros minutos do filme (que envolvem uns créditos mirabolantes):
http://www.youtube.com/watch?v=pMzCox5lAx4
Jorge Pereira

