O caso Von Trier está para durar e tudo o que começou como uma picardia e provocação para com os jornalistas, tornou-se numa verdadeira tempestade. Porém, e mesmo após surgir a notícia que Von Trier era uma «persona non grata» para o evento, o cineasta manteve a sua agenda profissional e deu as entrevistas agendadas.
Uma delas foi a um grupo de jornalistas onde se incluía o responsável da Time Out Chicago. Logo a abrir, Von Trier brinca e diz que se algum deles lhe quiser bater pode-o fazer, mas para terem cuidado porque ele pode gostar. Continuando a responder a questões sobre o caso, o dinamarquês prossegue afirmando que é conhecido pelas suas provocações, e que gosta delas quando há um propósito. E este caso não tem sentido porque ele não é «um Mel Gibson».
Logo a seguir Von Trier continuou com as desculpas, mas envia algumas farpas. «Eu sei que o Holocausto foi o maior crime da humanidade. E acho que esta é uma temática sensível e delicada aqui, pois os franceses têm uma história de serem bastante cruéis para os judeus.»
{xtypo_quote_right} Eu sei que o Holocausto foi o maior crime da humanidade. E acho que esta é uma temática sensível e delicada aqui, pois os franceses têm uma história de serem bastante cruéis para os judeus{/xtypo_quote_right} Regressando às desculpas, Trier admite que tudo foi uma brincadeira ao seu estilo, e que «devia ser transportado e mostrado à imprensa numa pequena jaula e com um farrapo na boca. Eu brinco muito e, vocês, como jornalistas, até podem não achar piada, mas ver o meu objectivo.»
Já ao Los Angeles Times, Von Trier foi mais genuíno e menos brincalhão e provocador. «Estou a ser sincero quando digo que não sei que me deu. Eu consigo entender que tirem as coisas do contexto. Isto foi muito sarcástico e rude, mas isso é uma maneira de ser muito dinamarquesa. Tenho pena que tudo esteja a ser levado pelo mau caminho. Eu acredito que o Holocausto foi a maior atrocidade da história e não simpatizo com Hitler. Não queria magoar ninguém. Muitas vezes magoo-o as pessoas de propósito, quando existe uma provocação que quero espalhar com um significado. Isto não teve significado. Eu estudei como os judeus foram maltratados na França e na Polónia. Isto é algo importante para mim. E o meu comportamento foi idiota.»
Porém, e mais uma vez, o realizador não deixou passar em claro o facto de tudo isto ter provocado tanta indignação em França, referindo que só acontece assim porque os franceses realmente têm problemas na sua história com os judeus e que, por tal, têm esta necessidade de afirmação.
A novela está para durar…
Revê em baixo (nos links) o vídeo que gerou toda a polémica
Jorge Pereira

