O cinema de Manoel de Oliveira não é para todos, mas será assim para tão poucos?

(Fotos: Divulgação)
757. Foi este o número de pessoas que foram ao cinema, este fim-de-semana, ver «O Estranho Caso de Angélica», o mais recente filme de Manoel de Oliveira.
Pelo que o cinema português tem conseguido recentemente, até poderíamos dizer que não é um mau resultado, mas aí estaríamos a nivelar muito por baixo. Na verdade, é indesmentível que o publico português está claramente divorciado da nossa cinematografia, não sendo Manoel de Oliveira – indiscutivelmente um dos maiores nomes do cinema português – o único caso.
De 2004 a 2011, e segundo o Icam, nenhum filme de Manoel de Oliveira fez parte dos 40 filmes portugueses mais vistos. Se tivermos em conta que no 40º lugar está «Lá Fora», de Fernando Lopes, com 9364 espectadores, isso significa que nenhuma obra de Manoel de Oliveira – neste período – ultrapassou esta marca.
Pior. Para se ter bem a noção das coisas, «O Estranho Caso de Angélica» teve menos espectadores durante este fim-de-semana de estreia que «Agente Disfarçado: Tal Pai, tal Filho», que está há cinco semanas na tabela. E nem vamos comparar com «Thor», o grande campeão de fim-de-semana, com mais de 60 mil espectadores. Comparemos com «Quinze Pontos na Alma», filme português estreado no início de Abril. Esta obra abriu acima dos mil espectadores. O mesmo aconteceu com a «Cidade dos Mortos», ou «Complexo Paralelo» – a produção nacional com mais espectadores este ano.
Já sabíamos que o cinema de Manoel de Oliveira não é para todos, mas será assim para tão poucos?

Jorge Pereira

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