O Estrangeiro (L’Étranger), adaptação do clássico de Albert Camus, realizada por François Ozon, foi o grande vencedor dos Prémios Lumière, frequentemente descritos como os “Globos de Ouro franceses”, por serem atribuídos pela imprensa estrangeira sediada em França. Além do prémio de Melhor Filme, a obra arrecadou ainda os galardões de Melhor Ator, para Benjamin Voisin, e Melhor Fotografia, atribuída a Manu Dacosse. A cerimónia decorreu no Institut du Monde Arabe (Instituto do Mundo Árabe), em Paris, um local de forte simbolismo, sublinhado pelo próprio Ozon no seu discurso de agradecimento.
“Mergulhei na história da França e da Argélia para perceber porque Camus escreveu, em 1938, sobre a morte de um árabe e não de outra personagem”, explicou Ozon ao C7nema, numa entrevista concedida em Paris no passado sábado. “Tornou-se evidente para mim que era necessário fazer um filme de 2025 a partir de uma história de 1938-40, e contextualizá-la.”
Na categoria de Melhor Realização, o prémio foi atribuído a Richard Linklater por Nouvelle Vague, uma carta de amor à Nouvelle Vague francesa, distinguida também com o prémio de Ator Revelação para Guillaume Marbeck. Léa Drucker venceu Melhor Atriz por Caso 137, enquanto Nadia Melliti recebeu o prémio de Atriz Revelação por La Petite Dernière.
Noutras categorias, O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, venceu Melhor Coprodução Internacional, superando títulos como Valor Sentimental e Foi Só Um Acidente. Já Arco, de Ugo Bienvenu, triunfou na animação, Put Your Soul on Your Hand and Walk, de Sepideh Farsi, foi eleito o Melhor Documentário, e Nino, de Pauline Loquès, foi considerado o Melhor Primeiro Filme.
A violência no Irão foi evocada em vários discursos, mas também os Estados Unidos e a Europa estiveram no centro das atenções, nomeadamente na intervenção de Stéphane Demoustier, vencedor de Melhor Argumento por L’Inconnu de la Grande Arche. O cineasta aproveitou para apelar à união europeia, numa referência clara às tensões geopolíticas recentes, incluindo a questão da Gronelândia e a relação com os EUA.
Votados por jornalistas internacionais de 36 países, os Prémios Lumières antecedem os Césars, marcados para 27 de fevereiro, no Olympia, em Paris.
Lista de vencedores — 31.º Prémios Lumières
- Melhor Filme: L’Étranger — François Ozon
- Melhor Realização: Nouvelle Vague — Richard Linklater
- Melhor Ator: Benjamin Voisin (L’Étranger)
- Melhor Atriz: Léa Drucker (Caso 137)
- Melhor Ator Revelação: Guillaume Marbeck (Nouvelle Vague)
- Melhor Atriz Revelação: Nadia Melliti (La Petite Dernière)
- Melhor Argumento: L’Inconnu de la Grande Arche — Stéphane Demoustier
- Melhor Primeiro Filme: Nino — Pauline Loquès
- Melhor Fotografia: Manu Dacosse (L’Étranger)
- Melhor Filme de Animação: Arco — Ugo Bienvenu
- Melhor Documentário: Put Your Soul on Your Hand and Walk — Sepideh Farsi
- Melhor Música Original: Warren Ellis, Dom La Nena e Rosemary Standley (Le Chant des forêts)
- Melhor Coprodução Internacional: O Agente Secreto — Kleber Mendonça Filho

