A 45ª cerimónia de entrega dos Césars, os principais prémios do cinema francês, continua a dar que falar.

A atriz Juliette Binoche mostrou compreensão pelo abandono da cerimónia de entrega dos Césars da atriz Adèle Haenel, logo após a conquista do prémio de melhor realizador ser entregue a Roman Polanski. A atriz, que promove atualmente em França o seu novo filme, La Bélle Epouse, disse aos microfones da France Info. “Tendo em conta a sua história [de alegado assédio por parte do realizador Christophe Ruggia], compreendo o que ela fez. O que teria feito se estivesse na sala? Eu teria saído muito antes porque a cerimónia foi insuportável, muito aborrecida e vulgar. Fiquei feliz por não estar lá“.
Já ao Allocine, a atriz gaulesa admitiu hoje que o que Haenel fez foi algo “bastante verdadeiro“: “O que ela passou, o seu trauma, o que ela disse, o que ela sente. Acho bom que ela tenha feito isso porque corresponde a algo verdadeiro“.
À France Info, Binoche foi ainda muito crítica com a forma como a cerimónia decorreu e com a estrutura do evento com a apresentação de Florence Floresti. “Fiquei chocada com a estupidez, não falámos nem por um segundo de cinema nos Césars. É um show de uma pessoa só [a anfitriã], entediante e narcisista, mas tem sido assim há algum tempo (…) [a cerimónia] não tem nada a ver com cinema. “.

Florence Floresti
Em sentido oposto, e também à France Info, o ator Lambert Wilson, que brevemente veremos em Os Tradutores, foi bastante crítico com a atitude de Adèle Haenel. “Estou muito zangado (…) se achamos que há algo errado com o facto de Polanski estar nomeado, então não vamos [à cerimónia]!”. O ator apontou depois baterias a Floresti e às piadas que ela fez sobre Polanski durante a cerimónia e afirmou que estas atitudes politicamente corretas são uma espécie de “terrorismo”. Finalmente, o artista mencionou a declaração de Fanny Ardant no tapete vermelho e Samantha Geimer, uma das ex-vítimas de Roman Polanski, que decidiram perdoá-lo. “O que me deixa com raiva é que, quando leio o texto de Samantha Geimer, ela defende [Polanski]! Ela considera que ele é vítima desta demonização. Ela já o perdoou há muito tempo (…) Eu dou uma medalha, 45 medalhas, a Fanny Ardant, quando ela diz ‘sou contra a condenação e seguirei Roman Polanski até a guilhotina’.

