Césars: “Os Miseráveis” e Roman Polanski triunfam em noite de protestos

(Fotos: Divulgação)

A cerimónia de entrega dos principais prémios do cinema francês ficou marcada por protestos, momentos de grande constrangimento na apresentação de alguns dos vencedores, e a consagração de Os Miseráveis como melhor filme

Numa cerimónia apresentada pela atriz Florence Foresti, foi difícil escapar ou esquecer o “elefante na sala“: Roman Polanski. O cineasta não marcou presença no evento e fora da sala Pleyel, onde decorreu a entrega dos prémios, foram muitos os protestos contra as nomeações de J’Accuse- O Oficial e o Espião, havendo mesmo uma tentativa de invasão do espaço e uma intervenção policial. 

Foi perante este cenário de tensão, a meio da cerimónia, que coube ao ator Jean-Pierre Darroussin a tarefa de anunciar o franco-polaco e Robert Harris como vencedores do prémio de melhor argumento adaptado. Foram poucas as palmas na sala, após o anúncio, e o próprio apresentador não disse o nome de Roman e soltou apenas: “.Rom…onski e Robert Harris”.

Um momento estranho, constragedor, mas não o único, pois minutos depois, Emmanuelle Bercot e Claire Denis anunciam Polanski como melhor realizador. Ouvem-se palmas, mas muitos presentes abandonam a sala. Adèle Haenel foi uma das primeiras a sair, a gesticular e a mostrar a sua indignação pela vitória do cineasta, como podem ver no vídeo abaixo. Céline Sciamma vinha imediatamente atrás da atriz.

 

Nisto, quando Ladj Ly subiu ao palco para receber o prémio de melhor filme por Os Miseráveis, o ambiente já estava demasiado estranho para grandes celebrações, mas ainda assim a festa foi mesmo para Montfermeil. Curiosamente, o filme tinha perdido momento antes o César de Melhor Primeiro Filme (venceu Papicha), mas ganhou ainda o Prémio do Público.

Passando para as interpretações, Roschdy Zem (Roubaix, une lumière) foi melhor ator; Anaïs Demoustier (Alice et le maire) a  melhor atriz; Swann Arlaud (Grâce à Dieu) o melhor ator secundário; e Fanny Ardant (La Belle Époque) a melhor atriz secundária. Alexis Manenti (Os Miseráveis) e Lyna Khoudri (Papicha) foram os atores revelação.

Noutros prémios, destaque para a animação, onde a a vitória coube a J’ai perdu mon corps. O realizador subiu ao palco, agradeceu e apelou a todos que deem mais importância ao trabalho dos animadores, culminando com a frase: “a animação não é um género cinematográfico“. A obra que estreou na Semana da Crítica em Cannes foi ainda consagrada pela banda-sonora. 

Finalmente, Parasitas foi considerado o melhor filme estrangeiro, com a equipa da produção sul-coreana a não marcar presença em Paris, mas a enviarem um vídeo de agradecimento.

Nomeados/Vencedores:

Melhor Filme 

La Belle époque, de Nicolas Bedos
Grâce à dieu, de François Ozon
Hors normes, de Olivier Nakache e Éric Toledano
J’accuse, de Roman Polanski
Les Misérables, de Ladj Ly
Portrait de la jeune fille en feu, de Céline Sciamma
Roubaix une lumière, d’Arnaud Desplechin 

Melhor Primeiro Filme 

Atlantique, de Mati Diop
Au nom de la terre, d’Edouard Bergeon
Le Chant du loup, d’Antony Baudry
Les Misérables, de Ladj Ly
Papicha, de Mounia Meddour 

Melhor Realizador 

Olivier Nakache e Éric Toledano (Hors normes)
Ladj Ly (Les Misérables)
Céline Sciamma (Portrait de la jeune fille en feu)
Arnaud Desplechin (Roubaix, une Lumière)
Nicolas Bedos (La Belle Epoque)
François Ozon (Grâce à Dieu)
Roman Polanski (J’accuse) 

Melhor Ator 

Daniel Auteuil (La Belle Époque)
Damien Bonnard (Les Misérables)
Vincent Cassel (Hors normes)
Jean Dujardin (J’Accuse)
Reda Kateb (Hors Normes)
Melvil Poupaud (Grâce à Dieu)
Roschdy Zem (Roubaix, une lumière) 

Melhor Atriz 

Anaïs Demoustier (Alice et le maire)
Eva Green (Proxima)
Adèle Haenel e Noémie Merlant (Portrait de la jeune fille en feu)
Karin Viard (Une chanson douce)
Doria Tillier (La Belle epoque)
Chiara Mastroianni (Chambre 212) 

Melhor Ator Secundário 

Swann Arlaud (Grâce à Dieu)
Grégory Gadebois (J’Accuse)
Louis Garrel (J’Accuse)
Benjamin Lavernhe (Mon Inconnue)
Denis Ménochet (Grâce à Dieu) 

Melhor Atriz Secundária 

Fanny Ardant (La Belle Époque)
Laure Calamy (Seules les bêtes)
Sara Forestier (Roubaix, une lumière)
Hélène Vincent (Hors normes)
Josiane Balasko (Grâce à Dieu) 

Melhor Filme Estrangeiro 

Dor e Glória, de Pedro Almodovar
Le Jeune Ahmed, des frères Dardenne
Joker, de Todd Philips
Lola vers la mer, de Laurent Micheli
Era uma vez…em Hollywood, de Quentin Tarantino
O Traidor, de Marco Bellocchio
Parasitas, de Bong Joon-ho 

Melhor Filme de Animação 

La fameuse invasion des ours en Sicile, de Lorenzo Mattotti
J’ai perdu mon corps, de Jérémy Clapin
Les Hirondelles de Kaboul, de Zabou Breitman et Eléa Gobbé-Mévellec 

Melhor Documentário 

68, mon Père et les Clous, de Samuel Bigiaoui
La Cordillère des songes, de Patricio Guzmán
Lourdes, de Thierry Demaizière et Alban Teurlai
M, de Yolande Zauberman
Wonder boy Olivier Rousteing, né sous X, de Anissa Bonnefont 

Melhor Revelação Masculina 

Anthony Bajon (Au nom de la terre)
Benjamin Lesieur (Hors Normes)
Alexis Manenti (Les Misérables)
Djebril Zonga (Les Misérables) 

Melhor Revelação Feminina 

Luàna Bajrami (Portrait de la jeune fille en feu)
Céleste Brunnquell (Les Eblouis)
Mama Sané (Atlantique)
Lyna Khoudri (Papicha)
Nina Meurisse (Camille) 

Melhor Argumento Original 

Nicolas Bedos por La Belle Epoque
François Ozon por Grâce à dieu
Olivier Nakache e Éric Toledano por Hors normes
Ladj Ly, Giordano Gederlini e Alexis Manenti por Les Misérables
Céline Sciamma por Portrait de la jeune fille en feu 

Melhor Argumento Adaptado 

Adults in the room, de Costa-Gavras
J’accuse, de Roman Polanski
J’ai perdu mon corps, de Jérémy Clapin
Roubaix, une lumière, de Arnaud Desplechin
Seules les Bêtes, de Dominik Moll 

Melhor Fotografia 

Nicolas Bolduc – La Belle Époque

Pawel Edelman – J’accuse

Julien Poupard – Les Misérables

Claire Mathon – Portrait de la jeune fille en feu
Irina Lubtchansky – Roubaix, une lumière

Melhor Montagem 

Laure Gardette (Grâce à Dieu)
Hervé De Luz (J’accuse)
Flora Volpelière (Les Misérables)
Anny Danché e Florent Vassault (La Belle Epoque)
Dorian Rigal-Ansou (Hors Normes) 

Melhor Banda-Sonora Original 

Atlantique
J’accuse
J’ai perdu mon corps
Les Misérables
Roubaix, une lumière

Melhor Guarda-Roupa 

Pascaline Chavanne (J’accuse)
Emmanuelle Youchnovski (La Belle Epoque)
Thierry Delettre (Edmond)
Alexandra Charles (Jeanne)
Dorothée Guiraud (Portrait de la jeune fille en feu) 

Melhor Som 

RémiI Daru, Séverin Favriau, Jean-PaulL Hurier por La Belle Epoque
Nicolas Cantin, Thomas Desjonquères, Raphaëll Mouterde, Olivier Goinard, Randy Thom por Le Chant du loup
Lucien Balibar, Aymeric Devoldère, Cyril Holtz, Niels Barletta por J’accuse
Arnaud Lavaleix, Jérôme Gonthier, Marco Casanova por Les Misérables
Julien Sicart, Valérie De Loof, Daniel Sobrino por Portrait de la jeune fille en feu 

Melhor Direção Artística 

Stéphane Rozenbaum por La Belle Epoque
Benoît Barouh por Le chant du loup
Franck Schwarz por Edmont
Jean Rabasse por J’accuse
Thomas Grézaud por Portrait de la jeune fille en feu 

Melhor Curta-Metragem 

Beautiful Loser, de Maxime Roy
Pile Poil, de Lauriane Escaffre e Yvonnick Muller
Le Chant d’Ahmed, de Foued Mansour
Chien bleu, de Fanny Liatard
Netta Football Club, de Yves Piat 

Melhor Curta-Metragem de Animação 

Ce magnifique gâteau, de Marc James Roels e Emma de Swaef
Je sors acheter des cigarettes, de Osman Cerfon
La nuit des sacs plastiques, de Gabriel Harel
Make It Soul, de Jean-Charles Mbotti Malolo

César do Público

Les Miserables

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