O realizador franco-polaco Roman Polanski afirmou que não vai estar presente, esta sexta-feira, 28 de fevereiro, na entrega dos Césars, os prémios mais importantes do cinema francês.

Nomeado a 12 categorias por J’Accuse- O Oficial e o Espião, Polanski afirmou em comunicado que tem consciência de como as coisas seriam se aparecesse, antevendo um linchamento público: “Lamento muito tomar esta decisão, a de não enfrentar um autoproclamado tribunal de opinião disposto a pisar os princípios do Estado de direito para que o irracional triunfe novamente“.
O cineasta de 86 anos descreveu ainda a entrega dos prémios este ano como mais um simpósio contra si que uma “festa do cinema francês para recompensar os seus maiores talentos”, e que “a imprensa e as redes sociais apresentam as 12 nomeações do filme como um presente da Direção da Academia (…) ignorando assim o voto secreto de 4.313 profissionais que são os únicos que decidem essas indicações, e os mais de 1,5 milhões de espectadores que foram assistir ao filme nos cinemas franceses“.
Recorde-se que os protestos em torno das nomeações aos Césars de Polanski e ao seu filme não surgiram apenas de grupos feministas [que têm colocado faixas junto ao local da cerimónia], mas também de pessoas ligadas à indústria, como o caso de atriz Adèle Haenel, candidata ao César de melhor atriz, que afirmou recentemente numa entrevista ao New York Times que “distinguir Polanski é como cuspir na cara das vítimas” e que a mensagem que passa para o mundo é que “não é assim tão grave violar mulheres“.
La nuit dernière les colleuses ont été coller sur la salle Pleyel et l’académie @Les_Cesar pour rappeler que protéger les violeurs et les pedocriminels est un acte de complicité nauséabond. pic.twitter.com/S88KBgaee8
— Collages Féminicides Paris (@CollagesParis) February 26, 2020

