Ricky Gervais: “As pessoas gostam da ideia de liberdade de expressão até ouvirem algo que não gostam”

(Fotos: Divulgação)
Os Globos de Ouro vão ser entregues a 5 de janeiro

Numa grande entrevista ao The Hollywood Reporter, o comediante, que vai apresentar pela quinta vez a cerimónia de entrega dos Globos de Ouro, falou sobre algumas das polémicas em torno das suas piadas, afirmando que as pessoas gostam sempre da ideia de liberdade de expressão até ouvirem algo que não gostam.

Gervais, que frequentemente está envolto em polémicas por afirmações nas redes sociais (a última tem a ver com a sua alegada transfobia), promete que não vai “diluir, recuar e não dizer o que quer” por causa da pressão constante que os comediantes sentem para não falar deste ou daquele tema: “É bom não ser racista, sexista e homofóbico. Mas não é bom não poder fazer piadas sobre essas coisas, porque você pode contar uma piada sobre a raça sem ser racista. Estou feliz por jogar de acordo com as regras. Só que os 200 milhões de pessoas que assistem têm regras diferentes. Essa é a questão. Quando as pessoas dizem: ‘Ele cruzou a linha [do bom gosto]’, eu respondo: ‘Eu não tracei essa linha, vocês sim’“.

Explicando que aceitou a tarefa porque “é divertido” apresentar esta cerimónia, Gervais realçou que a sua tarefa não é pensar apenas nos presentes na sala, mas em todos os outros que assistem em casa: “Na primeira vez que apresentei, pensei: ‘Agrado os 200 egos privilegiados na sala ou tento entreter uma audiência global de 200 milhões de pessoas sentadas em casa que não estão a ganhar prémios? (…) Tento ser a pessoa que está fora da cerimónia’“.

Assim, Gervais diz que não vai particularizar em ninguém as piadas que vai fazer, mas sim, primeiro correr “atrás da comunidade em geral. Do cinema, da televisão e só depois dos atores, do pretensionismo e hipocrisia“.

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