Distribuindo socos e pontapés, correndo que nem um louco (a pé ou de carro), e ameaçando tudo e todos (pelo telefone ou na cara) desde que “explodiu” como estrela de ação em “Taken” (2008), que o transformou no Charles Bronson do novo milénio, Liam Neeson há largos anos que avisa que os seus tempos de pancadaria estão a acabar. “Absolution” (Absolvição), tal como o seu anterior “Memory” (A Memória de Um Assassino), pode ser um claríssimo indicador disso mesmo, já que o ator, atualmente com 72 anos, através da sua personagem, encara mais o envelhecimento e as mazelas que a profissão lhe trouxeram do que qualquer sede de continuar a distribuir pancada.
Interpretando um pugilista transformado em gangster para um criminoso, a personagem de Neeson, conhecida simplesmente como “Thug” (em sentido literal significa rufia), começa a manifestar sinais de degeneração cognitiva, o que o torna um fardo para o patrão (Ron Pearlman em modo automático) e o seu ambicioso filho, Kyle (Daniel Diemer). Afastado da família, Thug dedicou a sua vida ao emprego e vê-se agora – ciente da sua condição – tentado a uma reaproximação “aos seus”, descobrindo que o seu filho se suicidou e que apenas tem uma filha, que não parece muito interessada em manter contacto.
É nestes termos que (mais) “um filme de ação com Liam Neeson” se revela um engodo do marketing, pois “Absolution” tem mais a dizer como drama do que com pancadaria, um pouco na senda da transição habitual de estrelas de ação que começam a encarar a velhice nos seus filmes, como assistimos com Clint Eastwood. O problema é que o guião de Tony Gatyon parece mais interessado em fazer uma espécie de compilação de êxitos da carreira do ator, misturando um pouco de tudo que Neeson fez nos últimos 16 anos num guião que, além de se revelar derivativo, cai nas raias do tédio e previsibilidade. E em vez de um drama de ação à la Eastwood, temos mais um produto de baixo calibre, tão esquecível como os últimos 20 filmes da carreira de Bruce Willis.
Falhando em todos os níveis, particularmente no ponto de vista emocional, com tentativas frustradas de dar uma dimensão amorosa à relação deste “Thug” e de uma mulher (Yolanda Ross), e com a filha (Frankie Shaw) e neto (Terrence Pulliam), resta ao filme acreditar que o carisma de Neeson consegue tapar toda a subnutrição da construção dos diálogos e personagens. Não consegue, encontrando o espectador um ator em piloto automático que não parece acreditar muito que pode salvar um filme com tantas deficiências e clichês.





















