O documentário de tons híbridos “Better Go Mad in the Wild“, de Miro Remo, recebeu este sábado o Grande Prémio do Festival de Cinema de Karlovy Vary, a que adicionam 25 mil dólares, divididos entre o realizador e os produtores.
Acompanhando os gémeos eremitas František e Ondřej Klišík, “Better Go Mad in the Wild” foi descrito pelo júri, composto por Nicolas Celis, Babak Jalali, Jessica Kiang, Jiří Mádl e Tuva Novotny, como “uma lufada de ar fresco e amadeirado, ou um mergulho rápido num lago ao ar livre, ou um momento de contemplação enquanto uma vaca mastiga a barba. Em suma, é como estar livre.“
O Prémio Especial do Júri foi para o drama iraniano “Bidad“, de Soheil Beiraghi, que pediu ao público que aplaudisse as mulheres iranianas “por não terem medo e o ensinarem a não ter medo“. Segundo o júri, “refletindo a coragem necessária para fazer um filme como este no Irão, Bidad, do argumentista e realizador Soheil Beiraghi, é igualmente corajoso nas suas reviravoltas narrativas constantemente inesperadas, percorrendo diferentes terrenos de género com a mesma energia com que percorre os diferentes subúrbios de Teerão.“

O prémio de realização foi atribuído ex aequo, ao lituano Vytautas Katkus por “The Visitor“, em que seguimos um homem que regressa à sua cidade natal para vender o apartamento dos pais, voltando a ligar-se com as pessoas e com a cidade que já não é sua, e Nathan Ambrosioni por “Out of Love“, com Camille Cottin no papel de uma mulher subitamente forçada a tomar conta dos filhos das irmã após o seu desaparecimento.
Nas interpretações, o prémio de melhor atriz foi atribuído à norueguesa Pia Tjelta pela sua prestação em “Don’t Call Me Mama“, de Nina Knag, sobre uma mulher na casa dos quarenta anos que inicia um caso com um jovem refugiado. Nas prestações masculinas, Àlex Brendemühl conquistou o prémio pela presença em “Quan un riu esdevé el mar“, onde interpreta o papel do pai de uma jovem abusada sexualmente. Foi também atribuída uma Menção Especial do Júri à estreante Kateřina Falbrová pelo seu papel em “Broken Voices“, de Ondřej Provazník, um filme inspirado num chocante caso real de abusos num coro feminino da República Checa.
Passando para a secção Proxima, o júri composto por Yulia Evina Bhara, Noaz Deshe, Nelson Carlos De Los Santos Arias e Marissa Frobes premiou “Sand City“, de Balur Nogorite, cuja narrativa segue duas histórias paralelas centradas no elemento areia, enquanto o Grande Prémio do Júri coube a “Forensics“, de Federico Atehortúa Arteaga, que segue histórias de desaparecidos na Colômbia, entrelaçando perdas pessoais e identidade nacional. “Before / After“, de Manoël Dupont, sobre dois homens que se unem por causa da calvície, recebeu uma menção honrosa.
Finalmente, “We’ve Got to Frame It! (a conversation with Jiří Bartoška in July 2021)” recebeu no Prémio do Público.
O Festival de Karlovy Vary termina hoje, 12 de julho.

