Polanski: crime, sanção e liderança do box-office em França

(Fotos: Divulgação)

Protestos em França contra a estreia de J’Accuse

Acusado mais uma vez de violação, desta vez por Valentine Monnier, que alega ter sido espancada e violada em 1975 pelo realizador, quando tinha 18 anos e estava numa estância de ski na Suíça com um amigo, Polanski arrisca-se a sofrer as primeiras sanções em França.

Diante de um novo escândalo, e com o caso Adèle Haenel também na memória recente, a ARP (Sociedade de Autores Realizadores e Produtores) propôs novas regras para os seus membros condenados ou que enfrentam acusações de comportamento sexual inapropriado.

“Passaram quarenta anos entre o primeiro caso envolvendo Roman Polanski e hoje. O mundo mudou muito em quarenta anos. Os crimes são os mesmos, mas a maneira como são percebidos mudou enormemente“, disse esta segunda-feira, 18 de novembro, o presidente da ARP, Pierre Jolivet, numa reunião do conselho de administração desta associação, que reúne cerca de 200 cineastas. “Essa suspensão diz respeito a Roman Polanski, cujos processos judiciais ainda estão abertos nos Estados Unidos e pelas quais ele foi alvo de uma acusação“, acrescentou. Estas mudanças nos estatutos da ARP ainda serão discutidas e aprovadas, ou não, numa assembleia geral a realizar no futuro.

A decisão chega dias depois de protestos em Paris e Rennes contra a estreia de J’Accuse, o novo filme do cineasta, que chegou ao mercado gaulês depois de ser premiado em Veneza. Apesar dos protestos e pedidos de boicote ao filme, a fita conseguiu 386.720 espectadores em cinco dias de exibição, sendo atualmente o filme mais visto em França.

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