Luís Ospina foi um realizador Colombiano que, apesar (ou talvez por causa) da sua educação privilegiada, fez parte dos movimentos cinematográficos que surgiram na América do Sul na década de 70 do século passado. Foi alvo de uma retrospetiva há uns anos no Doclisboa, onde foi também rodada a entrevista em que se baseia este “Ospina Cali Colombia”, pouco tempo antes de morrer.
Ospina sai deste documentário como pouco mais do que um Boomer privilegiado, que não é capaz de refletir muito sobre o que fez na juventude (chegando a acusar a juventude dos mesmos erros que cometeu), se virou contra a esquerda da altura com um bom argumento, mas que acabou por ser um “gatekeeper” para as novas gerações. Mais, os elementos da sua vida parecem reforçar essa narrativa e não há nada na entrevista que nos permita questioná-lo. Onde está o questionamento sobre a representação das camadas mais pobres da população, da pornografia da pobreza, que este levantou há tantos anos? Onde estão as preocupações com o mundo atual de um homem que sabia que ia morrer dentro de pouco tempo, com uma doença terminal? Tudo isso são oportunidades desperdiçadas.
Se todas as perguntas contêm em si as respostas a si mesmas, pode dizer-se que qualquer entrevista revela mais sobre o entrevistador do que sobre o entrevistado. Isso é demasiado evidente neste filme, onde a tentativa de fugir à formalidade da entrevista leva a uma leviandade e mesmo a um deturpar daquilo que se quer dizer ou passar. Isto, acentuado pelo amadorismo do entrevistador e dos comentários inanes que tantas vezes cortam um discurso que procura ser profundo, fazem com que este seja um exercício em futilidade. Haveria uma entrevista (e um filme) que, ainda que não concordássemos com tudo o que fosse dito, nos levasse a questionarmo-nos e teorizar sobre o cinema. Esta não é essa entrevista.




















