“Organizar ou pensar um festival que antes era bastante físico, que nascia um pouco do contacto de levar a Famalicão pessoas do cinema, profissionais, neste contexto é um pesadelo que ainda se está, dia a dia, a resolver”, explicou-nos Rui Tendinha, comissário da 6ª edição do Ymotion – Festival de Cinema Jovem de Famalicão, dando o exemplo do encontro entre Tozé Brito [mentor das Doce] e o Eduardo Breda [ator que o interpreta no filme “Bem Bom”]. “Nesta altura – pelo que sei – o Tozé Brito vai estar em Lisboa e o Eduardo em Famalicão”, mostrando assim as dificuldades acrescidas que a situação de pandemia trouxe para a organização de eventos em Portugal.
A decorrer em Vila Nova de Famalicão até ao próximo dia 7 de novembro, o Ymotion vai prestar homenagem ao ator brasileiro Rodrigo Santoro, um tributo ao ator português Diogo Morgado e a atribuição do Prémio Carreira ao ator Nuno Lopes. “O Nuno Lopes não está no fim da carreira e esse é um dos toques do Ymotion, o de destacar quem está em alta. No ano passado foi a Beatriz Batarda e antes já foi a Lúcia Moniz”, explica Rui Tendinha, sublinhando que esta distinção procura inspirar os jovens focando-se em “quem está a ter visibilidade” atualmente.
Noutros destaques, o comissário do evento realça o novíssimo cinema português que vai refletir – ao contrário do foco habitual em autores – na interpretação, nomeadamente dando destaque às atrizes Sara Barradas, que tem feito novelas mas tem um trabalho “muito interessante” em curtas-metragens, e Catarina Wallenstein, que tem feito “cinema em Portugal e no Brasil e é um bom exemplo para falar com os jovens”. “Uma seção de conversas feita sobretudo para inspirar os jovens que estão em casa no streaming e nas salas em Famalicão”, conclui.
Na competição do Ymotion vão estar 45 curtas-metragens assinadas por jovens que tentarão agradar um júri composto por Patrícia Vasconcelos, diretora de casting, Luísa Sequeira, realizadora e responsável pelo Super 9 Mobile Film Fest e pelo Shortcutz Porto, o jornalista Tiago Alves (Cinemax, Cinemax Curtas e Shortcutz Ovar) e ainda Samuel Silva do Shortcutz Guimarães. Para o vencedor haverá um prémio monetário “simpático”, algo que na opinião do comissário é importante para o cinema nacional se desenvolver.

