“Fruit Gathering” conquista o Globo de Cristal em Karlovy Vary

(Fotos: Divulgação)

O primeiro filme de Myanmar a competir pelo Globo de Cristal do Festival de Karlovy Vary, Fruit Gathering (Thit-thee Khu), acabou mesmo por conquistar o prémio maior do certame. A distinção foi anunciada hoje, durante a cerimónia de encerramento, pelo júri composto por Justin Chang, Amanda Nell Eu, Pavel Rejholec, Nadia Turincev e Eskil Vogt.

Além da distinção, a coprodução entre Myanmar, República Checa e França recebeu ainda o prémio monetário de 25 mil dólares, dividido entre o realizador e os produtores. Fruit Gathering segue duas jovens operárias de uma fábrica têxtil em Yangon, San Kyi (Nandar Myat Aung) e Theint Theint Oo (Nandar Myint Lwin), que se tornam amigas. Mas, enquanto San Kyi exige toda a atenção de Theint Theint, esta, embora aceite a intimidade, nem sempre lhe atribui o mesmo significado ou importância.

O Prémio Especial do Júri, no valor de 15 mil dólares, foi atribuído a The Guest (Gæsten), do dinamarquês Mads Mengel, que conquistou também o prémio de melhor realização. No centro do filme está Karl, interpretado por Simon Bennebjerg, um homem que tenta manter uma vida estável depois de uma infância marcada pela instabilidade. Numa reunião familiar que servirá de “batismo” para o seu filho, a chegada de Vibeke, a mãe, vivida por Trine Dyrholm, perturba o seu frágil equilíbrio, levando Karl a confrontar primeiro a irmã, Rikke, interpretada por Josephine Park, e depois a mãe, por suspeitar que esta não estará a tomar a medicação para um problema do foro psiquiátrico que nunca é esclarecido.

The Guest

Adoro Festen. Cresci com esse filme. Acho que tinha uns seis anos quando saiu e, na Dinamarca, como em muitos outros lugares do mundo, é considerado um dos melhores filmes alguma vez feitos. Por isso, estaria a mentir se dissesse que não fui influenciado por ele“, disse o cineasta dinamarquês ao C7nema, numa entrevista na República Checa. “Sempre pensei que queria fazer algo assim, uma reunião de pessoas que são juntas de alguma forma mas estão presas ao que se pensa delas“. 

Nas interpretações, o prémio de melhor atriz foi entregue a Anna Schinz pelo seu papel em A Happy Family, de Jan-Eric Mack, no qual interpreta uma mulher que, após um incêndio em casa, vê a proteção social retirar-lhe os dois filhos e colocá-los numa família de acolhimento. Já o prémio de melhor ator foi para Ghassan Saad, pela interpretação em Pipes, de Karim Kassem.

Noutras distinções, o Prémio do Público Právo foi atribuído ao documentário checo Bára – Diary of a Rockstar (Bára Basiková), realizado por Helena Třeštíková, enquanto, na competição Proxima, o Grande Prémio foi para Lover, Not a Fighter (Milovník, nie bojovník), de Martina Buchelová. Já o Prémio do Júri Proxima foi entregue ao japonês Incinerator (Shokyakuro), de Shuntaro Uchida, enquanto o prémio de melhor realização da secção foi atribuído a Efthimis Kosemund-Sanidis por A Whole Person Almost (Enas olokliros anthropos schedon).

A menção especial da competição Proxima foi para 33 Steps (33 krokov), de Anna Domček e Šimon Domček, coprodução entre a Eslováquia e a República Checa.

Nos prémios associados ao festival, mas não oficiais, o Grande Prémio do Júri Ecuménico foi atribuído a The Lion at My Back, de Tonia Mishiali, enquanto o Europa Cinemas Label Award, destinado a distinguir o melhor filme europeu e a apoiar a sua circulação nas salas da rede Europa Cinemas, foi para 3 Weeks After / 3 nedelje posle, do sérvio Miroslav Terzić.

O Festival de Karlovy Vary terminou hoje, 11 de julho.

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