Thriller policial frenético que esbarra na mais absoluta previsibilidade

Seja como T’Challa (Black Panther), Thurgood Marshall (Marshall) ou Andre Davis, Chadwick Boseman esbanja carisma e racionalidade nas suas ações no grande ecrã, mesmo que os seus filmes, como é este o caso, estejam entregues à mais absoluta previsibilidade. Mas mais que o fim de uma viagem, por vezes o melhor é mesmo o percurso, e 21 Pontes, um thriller policial frenético, acaba por ser um objeto de entretenimento dinâmico, embora se perca nas convenções e lugares comuns do género.
Aqui, o ator norte-americano é um detetive de dedo rápido no gatilho que tem de lidar com um par de criminosos que assassinou 7 polícias num assalto. Existem 21 pontes que circunscrevem Manhattan, e são essas que vão ser encerradas até às cinco da manhã para que a polícia tente travar os criminosos. Pelo caminho, uma mão cheia de sequências de ação bem conseguidas (mas nada espetaculares) facilitam a tarefa do espectador em seguir uma trama nada arrojada e que se perde entre policias vingativos e os que buscam justiça.
Há um esforço em dar alguma ambiguidade às personagens de Bosman e um dos vilões (Stephan James), criando uma boa química de confrontação entre o duo, mas essa atenção acaba desfeita na porta ao lado por uma Sienna Miller e um J.K. Simmons esforçados, mas amarrados a figurinhas tão óbvias e formatadas que o crowd-pleaser que se pretende transforma-se em apenas mais um produto de uma máquina industrial obsoleta que faz filmes em série baseado em velhas fórmulas.
É um filme de produtor (os irmãos Russo) assinado por um realizador (Brian Kirk).
Jorge Pereira

