Ninguém que viu o filme reclamou“. Assim dizia Andy Muschietti em relação às 2h45 minutos que It: Chapter Two possui, o filme do palhaço assassino que adora sequestrar e matar crianças, mas que neste regresso está mais aborrecido e menos assustador que nunca.

Efetivamente, não só se revela excessiva a duração desta reciclagem completa do primeiro filme, como todos os elementos cozinhados nesta mixórdia de terror de tons nostálgicos, mas de genética moderna, perdem-se nas intenções. Prosseguindo os eventos do primeiro filme, um enorme e surpreendente sucesso que apresentava algum rigor e vigor para o género, agora temos os jovens já adultos a lidarem com os problemas da sua vida pessoal quando mais uma vez têm que lidar com o famoso Pennywise.

A partir daqui, o filme vai misturando passado e presente, tentando dar uma maior densidade às personagens agora adultas, explicando aos poucos como elas foram solidificando as suas personalidades depois do terror que viveram, mesmo que muitos encontrem nas suas recordações um vazio. Depois disto, é chover no molhado. Amontoam-se os tímidos ‘jump scares’ e Muschietti faz um verdadeiro upload sem grande inovação e criatividade de monstros e criaturas  – derivativas dos Universos de Carpenter e Del Toro – que servem como figuras ilusórias do medo sentido pelos jovens e adultos. Não faltam ainda os namoricos e tridentes amorosos para açucarar a história, conflitos por resolver e traumas por ultrapassar. Nada de novo.

E há ainda o picar do ponto a vários tópicos, como a violência doméstica, a homofobia (talvez o melhor momento do filme), os abusos paternais e uma série de outros elementos que tentam dar ao filme um cariz social intervencionista, mas tudo embalado num exercício de entretenimento superficial e abnóxio onde se destacam mais os cameos, que refletem a tendência contemporânea de surpreender o espectador com aparições surpresa, do que tudo o resto. 

Acresce a isto os já padronizados cortes rápidos da montagem e o enfadonho e repetitivo “efeito nostalgia dos anos 80”, com planos em jeito de videoclipe com as crianças para a geração Stranger Things delirar, combinando derradeiramente um produto cinematográfico cuja simplicidade da resolução ainda estilhaça mais a alegada complexidade que antes se tentou vender.