De Los Nombres de Las Cabras foi exibido no IndieLisboa

Tenerife, Ilhas Canárias. Atualmente um destino turístico, outrora um local onde o trabalho duro permitia ao império espanhol recolher alguma riqueza extra, habitado por nativos, de seu nome Guanches.
O arqueólogo Luis Diogo Cuscoy decide visitar a ilha e entrevistar os habitantes atuais sobre a existência mítica desta tribo que vivia e morria em caves subterrâneas. A dupla de realizadores Silvia Navarro e Miguel G. Morales propõe por sua vez apresentar este documentário usando puramente imagens de arquivo, na sua grande maioria a preto e branco e primitivas, usando códigos até do cinema mudo – a origem da sétima arte, no fundo. Deste diálogo implícito entre a origem desta ilha e das imagens que estamos a ver, entre o dito purismo deste povo e o purismo de quem dá mais importância a estas imagens que outras mais digitais (aqui não sabendo bem se era efetivamente o objetivo da dupla), que nasce o maior interesse que De Los Nombres de Las Cabras poderá despertar sobre outros títulos. Este é afinal de contas, prezando o passado destes dois cineastas, um filme-ensaio, um daqueles objetos teóricos que ficam bem num currículo dedicado à investigação.
São apenas 62 minutos, mas sente-se mais o peso de uma obra que acaba por desenhar uma trajetória circular sobre o seu pequeno espaço, acabando eventualmente por nos cansar com o fetichismo pelo arquivo, pelo culto do passado, pelas caveiras entretanto descobertas. Sim, pode haver aqui pontos de interesse e memória aleatórios – como a própria explicação do título, por exemplo; a certo ponto, o pastor atualmente presente na ilha vai enumerando todos os tipos de cabras que conhece, existindo tantos ou mais como os santos que aprenderam a venerar nas suas orações e a associar a partes do corpo, as quais são obviamente também descritas. Mas não chega para fazer com que esta obra transite para um estatuto de obrigatoriedade para além da sua valência enquanto documento histórico de fina lombada.

André Gonçalves

