
É profundamente frustrante este A Descoberta (The Discovery), um filme de ficção cientifica com uma premissa fascinante mas que se perde por nunca conseguir demonstrar o que realmente quer ser.
Numa sociedade onde a vida depois da morte está cientificamente provada, muitos praticam o suicidio como uma forma de recomeçarem a viver. Não se sabe muito bem o que acontece depois da morte física, mas sabe-se que “algo” (consciência, alma, o que quiserem chamar) sai de nós e vai para outro local. Como resultado, muitos – infelizes com a vida – decidem reiniciar-se “noutro lado” e como isto está a afetar o Planeta fica logo demarcado no início, quando, num barco, um contador vai nos mantendo a par do número de suicídios por todo o mundo.
Com este pano de fundo, o cineasta foca-se em Will (Jason Segel) e Isla (Rooney Mara), duas personagens que se encontram a caminho de uma ilha onde o cientista que fez a descoberta, Thomas (Robert Redford), criou uma espécie de casa de recolhimento/recuperação para os que falharam o suicídio. Nesse local, são ténues os limites entre a experiência científica e a estrutura de uma seita ou culto (há tiques da Cientologia), a qual procura apurar o que acontece realmente quando se morre. Para onde se vai? O que se vê?
Nisto somos pois remetidos verdadeiramente para uma espécie de nova versão de Linha Mortal, onde não faltam derradeiramente as reviravoltas e uma história de amor tão morna como todo o ambiente envolto.
Se em termos de conceituais tudo parece fascinante pelas portas que se abrem e por se poder proporcionar um debate intelectual sobre o tema, as constantes opções da narrativa e o passo lento da ação vão progressivamente nos afastando de toda a ideia e focar-nos apenas e só num drama existencial de um casal. Para ajudar o nosso desprendimento generalizado, contribui ainda o facto de nunca existir realmente uma grande química entre o trio protagonista (Mara, Segel, Redford), sendo A Descoberta mais um daqueles filmes dececionantes porque poderia ser uma “bomba” no género, mas que se contentou com pouco.
O Melhor: A premissa
O Pior: A falta de ambição e de imaginação após de expor as bases deste mundo.

Jorge Pereira

