
É dificil dizer mal de um filme tão cuidadosamente elaborado como All Is Lost. Desde as filmagens subaquáticas magníficas, à maneira como o som/música são o outro personagem a bordo (na ausência de grandes diálogos, este facto é ainda mais evidente), há aqui muito para apreciar, passando inevitavelmente por Robert Redford (uma das ausências mais notáveis dos Oscars, aqui a carregar o filme às costas e a ser o elo decisivo para que este nunca se afunde), os meus colegas fizeram o bom trabalho de evidenciar as suas qualidades.
Porquê então a classificação relativamente inferior? Por um motivo, que nem Redford nem o realizador J.C. Chandler provavelmente pensaram muito – ou se pensaram, avançaram na mesma em frente sem preocupações excessivas- que isto de ter filmes com uma só personagem é território naturalmente minado. É que o “Nosso Homem” do filme, não é “O Meu” homem. Não que seja um MacGyver, antes pelo contrário. Há muita decisão estúpida difícil de engolir, que até poderíamos desculpar com a situação que desperta o mais irracional que há no ser humano, é certo. Mas o que é também certo, é que mesmo tendo visto o filme na altura perfeita (durante a célebre tempestade do Stephanie lá fora, com ameaças da sessão ser cortada a meio e tudo), este não me puxou para dentro – ao contrário de, digamos, um “Gravidade”. E convenhamos que há mais cedências feitas ao chamado “mainstream” no filme de Cuáron que aqui! Mas o que filme de Cuáron nunca faz é largar o espectador a meio…
Ainda assim, e pesando todas as qualidades aqui presentes, valerá a pena deslocar-se à única sala de cinema do país (se estiver em Lisboa, vá) e apreciar a excelência técnica em demonstração. Quem sabe, não se identificará melhor com o protagonista e achará alguns procedimentos menos… aborrecidos?
O melhor: A excelência técnica e o trabalho de Redford.
O pior: Faltar uma ligação à única personagem do filme.

André Gonçalves

