O mumblecore e o formato documental fundem-se positivamente no filme independente francês La Bataille de Solférino, uma tragicomédia – já inserida na recentemente apelidada nova Nouvelle Vague do cinema francês – sobre a disputa de um casal pelo direito às visitas das suas duas filhas que tem como pano de fundo o dia das eleições francesas que elegeram Francois Hollande como o novo presidente gaulês.
Recorrendo a imagens reais do dia das eleições [há um momento em que se vislumbra mesmo Ségolène Royal] e dos momentos que sucederam à eleição de Hollande, La Bataille de Solférino tem o dom de prender o espectador com as neuroses e humor das suas personagens, que conjuntamente com interpretações muitas vezes improvisadas pelos seus atores e situações de momento, dão ao filme um tom pouco previsível, ainda que a sua história base não seja particularmente inovadora.
Em tudo isto sobressae Laetitia Dosch no papel de uma jornalista que tenta impedir que Vincent Macaigne tenha acesso às crianças, as quais passam grande parte do filme a chorar [contribuindo assim para a sensação de caos em que todos estão envolvidos). E se por alguns momentos, especialmente os mais tensos temos a impressão que as coisas até podiam descambar como no recente filme romeno Everybody in our Family, há demasiadas nuances e bastante humor psicótico que aligeiram essa sensação.
No todo, este é assim uma curiosa primeira longa metragem de Justine Triet, um cineasta já com curriculum no universo das curtas metragens e que aqui consegue dosear e manejar com talento e ambição as diversas batalhas travadas durante um único dia: as pessoais e eleitorais – que definirão o resto da vida de todos.

Jorge Pereira
(Crítica originalmente escrita em julho de 2013)

