Longe das aventuras de “Babysitting”, onde o formato found footage estava ao serviço da comédia, “Alibi.com” (2016) era mais clássico na sua abordagem e fazia lembrar as comédias irreverentes (e graciosamente irresponsáveis) dos anos 80 e 90, renascidas principalmente depois do sucesso de “The Hangover”.  

Nesse filme, os elementos da trupe cómica La Bande à Fifi – Philippe Lacheau, Tarek Boudali, Julien Arruti –  montavam uma empresa que fornecia álibis aos clientes para as mais diversas situações, em particular casos de infidelidade. No final desse primeiro filme, por questões ligadas ao amor, a empresa tinha sido encerrada, reabrindo novamente nesta sequela para engendrar uma série de novas peripécias para o casamento de Grégory (Philippe Lacheau) e Flo (Élodie Fontan) correr sem problemas.

Referências cinematográficas várias (de “Titanic” a Sylvia Kristel), um humor muitas vezes físico mas também politicamente incorreto (parodia-se com os ciganos, claques de futebol e a própria organização dos casamentos), e piadas físicas com animais e crianças (depois de termos visto peixes alucinados com Ecstasy em “Babysitting”, tudo era de esperar), fornecem ao espectador uma grande quantidade de gags hiperbólicas na intensidade e profusão ininterrupta, o que, aliado ao tom romântico menos cliché que no filme original, fazem desta uma sequela orgânica em relação ao material base.

Aliado a isto, temos a inclusão dos pais de Greg na história, ele um trapaceiro (interpretado por Gérard Jugnot), ela uma atriz de filmes de paródia softcore (Arielle Dombasle), os quais servem de contraste e produzem confrontações chistosas com os pais de Flo, Martin (Didier Bourdon) e Marlène (Nathalie Baye), que regressam nesta sequela com mais tempo de antena.

Gérard Jugnot e Arielle Dombasle

No final temos, novamente, um entretenimento escapista que, através das sucessivas piadas, vai nos fazendo esquecer toda a forma esquemática do arco narrativo, ou seja, a típica comédia de verão da silly season, onde não faltam ainda cameos da cultura francesa (Pascal Obispo, Patrick Fiori, Philippe Lellouche, Alexandra Lamy e Gad Elmaleh).

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Pontuação Geral
Jorge Pereira
alibi-com-2-caos-organizadoUm entretenimento escapista que, através das sucessivas piadas, vai nos fazendo esquecer toda a forma esquemática do arco narrativo, ou seja, a típica comédia de verão da silly season