San Sebastián anuncia Albert Serra e amplia a programação Made in Spain

Seize Moments de ma Vie, de Albert Serra, abre uma secção Made in Spain com mais de 20 filmes, três estreias mundiais e dez primeiras obras.

Enquanto procura os holofotes no Festival de Locarno com o documentário Seize Moments de ma Vie (na imagem acima), Albert Serra será também responsável por inaugurar a edição de 2026 da secção Made in Spain do Festival de San Sebastián. A mostra, dedicada ao mais recente cinema espanhol, reunirá mais de duas dezenas de longas-metragens, incluindo três estreias mundiais, duas estreias em Espanha e dez primeiras obras, confirmando-se como uma das principais montras da produção do país. O certame decorre entre 18 e 26 de setembro.

A mais recente obra do realizador catalão, distinguido em San Sebastián com a Concha de Ouro por Tardes de soledad, é uma ode à atriz e cantora alemã Ingrid Caven. Estreado fora de competição em Locarno, Seize Moments de ma Vie acompanha um concerto exclusivo em Paris, no qual a artista revisita 16 momentos marcantes da sua vida.

O encerramento da secção caberá à estreia mundial de 200 vidas, Paco Rabal, documentário de Vanesa Benítez que homenageia o lendário ator espanhol através de filmes em Super 8 e gravações sonoras inéditas, recuperando viagens, filmagens e festivais que marcaram o seu percurso.

Pedro Almodóvar regressa com Amarga Navidad, drama apresentado em competição em Cannes, no qual cruza as histórias de uma publicitária, em 2004, e de um argumentista, em 2026, reafirmando a relação privilegiada do cineasta com San Sebastián.

Entre as estreias mundiais figura Kotodama, el camino del espejo, primeira longa-metragem de Eugenio Tardón e Carla Cañellas. O documentário acompanha uma peregrina entre o Caminho de Santiago e o percurso japonês de Shikoku, refletindo sobre a espiritualidade das palavras e da caligrafia japonesa.

Também em estreia absoluta será exibido El otro Chiquito, de Juan Zavala e Javier Morales, que revisita a curiosa rivalidade entre o humorista Chiquito de la Calzada e o seu imitador Lucas Grijander, interpretado por Florentino Fernández.

Depois de passar pela Semana da Crítica de Cannes, Aina Clotet apresenta Viva, a sua primeira longa-metragem como atriz e realizadora. O filme acompanha uma mulher que, após vencer um cancro da mama, procura redescobrir a intensidade da vida.

Isabel Coixet leva à mostra Tre ciotole, drama sobre um casal cuja relação se desfaz após uma discussão aparentemente banal. A realizadora regressa a San Sebastián depois da estreia mundial da obra no Festival de Toronto.

Vencedor do Prémio do Público em Málaga, Pioneras. Solo querían jugar, de Marta Díaz de Lope Díaz, recupera a história das mulheres que lançaram as bases do futebol feminino em Espanha durante o franquismo.

Cristina Diz e Stefan Butzmühlen apresentam Die Gäste, road movie protagonizado por Greta Fernández e Jan Bülow, centrado na viagem de um jovem casal entre Colónia e a Galiza durante a década de 1970.

A estreia de Bàrbara Farré na longa-metragem faz-se com Mala bèstia, drama sobre uma adolescente retirada de um internato por uma família de acolhimento, confrontando os medos e os traumas do passado.

Laura García Alonso assina Corredora, retrato de uma atleta de elite obrigada a interromper a carreira após um episódio psicótico, obra distinguida em Málaga.

Víctor García León regressa com Altas capacidades, centrado num casal que matricula o filho numa escola de elite, expondo tensões sociais e ambições de ascensão.

Também vindo de Málaga, La vida és Verdi, de Berta García Lacht, presta homenagem ao histórico Cinema Verdi de Barcelona por ocasião do seu centenário.

Afioco Gnecco e Carolina Yuste estreiam-se na longa-metragem com Este cuerpo mío, documentário que acompanha a amizade entre dois jovens durante os primeiros anos da transição de género de um deles.

Marta Matute apresenta Yo no moriré de amor, vencedor da Biznaga de Ouro de Melhor Filme Espanhol em Málaga, acompanhando uma adolescente dividida entre cuidar da mãe doente e viver a juventude.

A comédia Pizza Movies, de Carlo Padial, segue uma jornalista cultural que decide abandonar a profissão para abrir uma pizzaria dedicada ao universo do cinema.

Depois de conquistar o Grande Prémio em Tallinn, Júlia de Paz regressa com La buena hija, drama familiar sobre uma jovem obrigada a recomeçar a vida após o divórcio dos pais.

Os argumentistas Jorge A. Lara e Fer Pérez estreiam-se na realização de longas-metragens com Los justos, sátira judicial em torno de um júri popular confrontado com uma tentativa de suborno.

Joan Porcel apresenta La carn, distinguido em Málaga, explorando a forma como a identidade digital de um bailarino acaba por contaminar a sua vida real.

Chema Rodríguez regressa à secção com El abrazo de los peces (15 años después), documentário sensorial dedicado ao quotidiano de pessoas com surdocegueira.

Vencedor do Teddy Award em Berlim, Ian de la Rosa exibe Iván & Hadoum, drama romântico sobre um casal cuja relação é posta à prova quando uma promoção profissional altera o equilíbrio entre ambos.

Ángel Santos Touza estreia-se em San Sebastián com Así chegou a noite, acompanhando um escultor isolado na costa galega cujo passado regressa inesperadamente.

Fernando Trullols apresenta Balandrau, vent salvatge, thriller inspirado na violenta tempestade que surpreendeu um grupo de montanhistas nos Pirenéus.

A secção inclui ainda La patria de los heladeros, documentário de Maite Vitoria Daneris que recupera a surpreendente influência dos habitantes dos Vales Pasiegos na história do gelado francês.

Com esta seleção, a Made in Spain reforça a sua vocação como plataforma privilegiada para a divulgação internacional do cinema espanhol contemporâneo, reunindo autores consagrados e uma nova geração de realizadores que começam agora a afirmar-se no panorama europeu.

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