Do trailer ao poster, da sinopse a qualquer tipo de material promocional, “Bilhete para o Paraíso” nunca engana e é exatamente o que se esperava dele: uma comédia romântica da velha guarda que depende durante todos os seus 104 minutos do charme e química entre Julia Roberts e George Clooney.

Julia Roberts, que se tornou a “namorada da América” após o estrondoso sucesso de “Pretty Woman” (1990), é  Georgia neste novo filme do realizador de “Agora Fico Bem” e “Mamma Mia! Here We Go Again”. Separada de  David (Clooney), ela continua a manter rancor e remorso por decisões do passado, como quando se afastou de uma carreira de sucesso em Los Angeles para casar e permanecer em Chicago, onde viria a viver e ter uma filha com o marido. As coisas não correram bem, a dupla divorciou-se e, desde esse momento, vive numa permanente “Guerra das Rosas”, com as discussões e confrontações a fazerem parte do quotidiano, sempre que se cruzam. Isso mesmo acontece na cerimónia formal de fim de curso (de Direito) da filha, Lily (Kaitlyn Dever), que entretanto parte para Bali [paisagens australianas e não indonésias) onde vai conhecer um rapaz, Geda (Maxime Boutier), por quem se apaixona e com quem decide casar. Preocupados com a decisão de Lily em colocar de lado a sua carreira e os EUA, para casar e viver em Bali com o futuro marido, a dupla de antigos amantes decide pôr as divergências de lado e partir para o local, com o plano de convencer a filha a não cometer o mesmo erro que eles cometeram no passado.

Feel good movie” entregue em doses cavalares, “Bilhete para o Paraíso”  tem um arco narrativo certinho, bonitinho e previsível, o qual não só repesca dois atores chave do cinema de Hollywood desde os anos 90, como contém todos os clichês dos filmes assinados nesta década (e anteriores). E nessa verdadeira orgia de lugares comuns, mesmo que a “o amor e uma cabana” se acrescente agora “uma lua e uma queda de água”, sobreviveu ao tempo a exotização (geográfica, de cartão postal; cultural, e espiritual) de outros povos, onde a própria escolha do franco-indonésio Maxime Bouttier, como Gede, reflete um ideal ocidental de beleza antiquado. A isto acrescem personagens secundárias estereotipadas facilmente descartáveis, onde não falta a melhor amiga de Lily que só quer se divertir e não ter responsabilidades (Billie Lourd), ou um interesse amoroso de Georgia, materializado num Lucas Bravo (de “Emily em Paris”) em modo docemente palerma. 

A maior parte do filme está entregue às tropelias do antigo casal a tentar impedir a união dos noivos, reaproximando-se durante todo o processo, tudo sobre a forma de gags cómicas-românticas que mais que nostalgia parecem revelar saudosismo pela falsa perfeição.

Pontuação Geral
Jorge Pereira
ticket-to-paradise-bilhete-para-o-paraiso-julia-roberts-e-george-clooney-em-comedia-romantica-da-velha-guardaComédia romântica da velha guarda que depende durante todos os seus 104 minutos do charme e química entre Julia Roberts e George Clooney.