Caído “em desgraça” em 2017 após acusações de assédio sexual e má conduta, o outrora supra sumo da animação cinematográfica, John Lasseter, responsável entre outros por projetos como “Toy Story” e “Cars”, encontrou na Skydance Animation a sua nova aventura após o despedimento da Disney.

Luck”, o filme inaugural desta nova empresa e o primeiro produzido por Lasseter não chega perto dos calcanhares de qualquer um dos projetos mencionados que o produtor trabalhou, mas também não é de todo um desaire na tradição dos filmes familiares com uma mensagem para entregar, embora seja quase certo que este projeto estreado na Apple não irá brilhar na época de prémios como o fez “Wolf Walkers” há um par de anos atrás.

Projeto de animação tridimensional que nunca deslumbra na técnica e na sua direção artística, e que embora tenha bons detalhes cai frequentemente nos lugares comuns da palete de cores, “Luck” cumpre os mínimos para as exigências quotidianas da animação norte-americana, pegando no conceito de família, nos altos e baixos da vida, no folclore e superstição, e em ultra-tecnologia orientada para a fabricação de sorte como adereços que, quando unificados, produzem um espétaculo especialmente orientado para as crianças.

No filme, realizado por Peggy Holmes (Sininho: Fadas e Piratas), acompanhamos a azarada Sam (voz de Eva Noblezada), uma órfã que nunca conseguiu encontrar uma família permanente e que aos 18 anos se prepara para sair do orfanato onde viveu durante anos. Essa saída revela-se um pouco complicada porque no mesmo espaço está uma outra menina, Hazel, que também procura uma família para a acolher. Destinada a dar à amiga a sorte que nunca teve, ela parte em busca de uma moeda da sorte, numa aventura com um gato (voz de Simon Pegg), duendes e outras criaturas que encontra quando passa um portal para a mágica Terra da Sorte, local onde a boa sorte é fabricada e cuidadosamente distribuída no mundo humano.

É um conceito curioso, mas a estratégia dos humanos de terem de lidar com diversas emoções, a presença de criaturas mágica e uma espécie de mundo invisível aos nossos olhos, deriva claramente de tudo um pouco que Pixar fez nas última décadas (De “Monstros e Companhia” a “Divertida(mente)”), sentido-se assim este projeto como um parente pobre da Pixar, com menor inovação, criatividade e polimento, a que se acrescenta um texto demasiado infantil e uma ausência quase total de humor adulto.

Na verdade, e estando no catálogo Apple, “Luck” é um daqueles objetos para os pais colocarem o filme a correr na sala e irem tratar da sua vida enquanto os miúdos ficam temporariamente agarrados ao conceito e às cores…

Pontuação Geral
Jorge Pereira
luck-a-estreia-da-skydance-na-animacao-mostra-estar-demasiado-verde-para-ser-colhida“Luck” cumpre os mínimos para as exigências quotidianas da animação norte-americana, pegando no conceito de família, nos altos e baixos da vida, no folclore e superstição, e em ultra-tecnologia orientada para a fabricação de sorte