Quem entrar na sala de cinema em cima da hora e um pouco desorientado por um atraso qualquer poderá pensar que está na sessão errada nos primeiros minutos deste novo filme da saga Bond, “007: Sem Tempo Para Morrer”. É que o início do filme remete-nos para o cinema de terror, com um mascarado a invadir uma casa e aterrorizar uma criança, a qual responde-lhe à letra. Este pequeno episódio, que parece deslocado deste universo, irá condicionar toda a narrativa que se segue e que liga as personagens de Léa Seydoux (Madeleine Swann), Rami Malek (Lyutsifer Safin) e, naturalmente, Daniel Craig (James Bond), agora obrigado a deixar a “reforma” para mais uma vez tentar travar um vilão que num ato vingança apodera-se de uma “arma” letal e silenciosa que pode colocar o mundo em risco.

E do filme de terror passamos rapidamente para um romance à beira-mar, em Itália, onde o túmulo de Vesper Lynd (Eva Green) será o ponto de partida para o filme de muita intriga e ação que estávamos à espera. É aí que a primeira perseguição a James Bond pelas ruelas de um povoado mostra a garras deste 25º filme da franquia, com Cary Fukunaga a assumir a cadeira de realizador a Sam Mendes e a potenciar sequências de ação eficazes e espetaculares qb, sem as necessidades mirabolantes de ultrapassar os limites dos filmes anteriores (em especial todo o “Bond” sob a aura de Daniel Craig depois de 2006).

Depois disso, e permanentemente com a (des)confiança, traição, e segredos em alvoroço na narrativa, Craig volta a viajar por inúmeros locais, cruzando-se tanto com pessoas ligadas à Spectre como a Safin, que se assume aqui como o grande vilão (com o cliché habitual da franquia do rosto deformado/marcado) deste filme, em detrimento de Blofeld (Christoph Waltz), que ainda assim dá um pequeno ar da sua graça.

Os dados estão lançados e qualquer uma das novas adições ao elenco da franquia tem o seu tempo de antena para mostrar serviço, em particular Ana de Armas nas sequências cubanas, mas também Lashana Lynch na confrontação/pirraça que tem durante todo o filme com Daniel Craig. Ralph Fiennes (M), Ben Whishaw (Q), Naomi Harris (Moneypenny) e Jeffrey Wright (Felix Leiter) surgem igualmente de forma eficaz, mas sempre ao serviço de uma narrativa que fundamentalmente assenta a sua atenção no tridente Seydoux-Malek-Craig, e que joga frequentemente entre ação e romance com maturidade, algo que poderá desiludir os que preferem o James Bond galã do passado ao mais sentimental de agora. Sim, por aqui há belas mulheres, mas se pensarmos no termo Bond Girl, ele parece ser uma marca do passado. O James Bond de agora está intimamente ligado ao facto deste ser o último filme da saga para Craig. 

Por isso, quando o final chega, os créditos acabam e as luzes se acendem, saímos com a sensação que foi feito um belo tributo (sem nunca brilhar) a Bond, a Craig e à saga. E ainda bem que esperámos pelas salas de cinema para o assistir.

Pontuação Geral
Jorge Pereira
Guilherme F. Alcobia
007-sem-tempo-para-morrer-a-bela-despedida-de-daniel-craig-a-sagaQuando o final chega, os créditos acabam e as luzes se acendem, saímos com a sensação que foi feito um belo tributo a Bond, a Craig e à saga.