Tony Gatlif regressa a Cannes: “Em mim, música e cinema estão sempre unidos”

(Fotos: Divulgação)

Preparado para ser o grande momento do dia 22 de maio, quinta-feira, no Festival de Cannes, a exibição de “Ange”, de Tony Gatlif, vai ser precedida de um concerto de Arthur H, protagonista do mais recente filme do realizador de filmes como  “La Tête en ruine” (1975), “La Terre au ventre” (1978), “Canta Gitano” (1981), “Gadjo dilo” (1997), “Exils” (2004) e “Tom Medina” (2022).

A minha vinda ao festival é a de um cineasta como os outros, mas tenho algo mais para oferecer: a música”, disse Tony Gatlif ao C7nema, horas antes da estreia mundial do seu novo projeto. “A música está na minha história pessoal e na minha filmografia. Está em todo o lado e não apenas como adição de música a imagens. Em mim, música e cinema estão sempre unidos. Nunca estão dissociados. A projeção que fazemos hoje na praia e que terá um concerto antes do Arthur H. é formidável.”

Em “Ange” seguimos um músico homónimo sem raízes que, aos 60 anos, sente a necessidade de se reencontrar com o seu velho amigo Marco. Solea, a filha de uma antiga paixão, que está em revolta contra o mundo, junta-se a ele nesta viagem. Juntos, eles vão redescobrir o caminho para a alegria. “É a história de um musicólogo que se assemelha a mim. Durante 50 anos andei pela estrada à procura de música”, diz-nos Gatlif, acrescentando que essas pessoas não são forçosamente de etnia cigana. “São pessoas com uma história emocional dolorosa e que não se servem da música. Eles servem a música. São pessoas que abandonam a família numa busca pela música. Mas o que me interessava era o retorno dessas pessoas. O que acontece? Todos os meus filmes seguem pessoas que partem numa viagem, mas pela primeira vez falo do regresso. É um pouco como nos westerns, na filosofia e mitologia. Falamos do regresso de Ulisses. E nesse retorno há histórias que acontecem pelo facto de termos abandonado as pessoas no passado. Nessas idas, perde-se uma família, mas ganha-se outra.

Maria de Medeiros e Arthur H. em “Ange”

Afirmando que Arthur H. representa fisicamente (até na voz) aquilo que desejava para o protagonismo, Gatlif dá mais detalhes sobre a escolha de Maria de Medeiros para o papel de uma antiga paixão de Ange. Uma paixão que regressa após o reencontro dos dois. “Queria uma atriz que, desde a primeira imagem, despertasse o amor de Arthur H.. O seu olhar, o seu cabelo, o seu sorriso são ignições perfeitas para despoletar esse retorno emocional por parte de Arthur. Olhando para os dois, temos acesso imediatamente a um passado em comum”.

Descrevendo que o cinema é “vital” para sim, Gatlif explica que cada vez é mais difícil encontrar financiamento para os seus filmes, que descreve como “livres” num mundo “formatado”. Por isso mesmo, ele não se vê a trabalhar para o streaming, continuando a defender a sua ideia de fazer filmes para o ecrã grande.

O Festival de Cannes termina a 24 de maio.

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