Com a segunda parte de “Dune” prestes a chegar às salas de cinema, o realizador Denis Villeneuve tem se desdobrado em entrevistas e, numa recente conversa com o The Times of London, ele criticou a abordagem da indústria cinematográfica de Hollywood nos dias de hoje, dizendo que “os filmes foram corrompidos pela televisão”.
Segundo o canadiano, realizador de obras como “Incendies“, “Prisoners” e “Blade Runner 2049“, os filmes deveriam ser mais ambiciosos e experimentais, orientados principalmente pelo visual, e menos dependentes dos diálogos: “Francamente, odeio diálogos. Os diálogos são para o teatro e para a televisão. Não me lembro dos filmes por causa de uma fala boa, lembro-me dos filmes por causa de uma imagem forte. Não estou interessado em diálogos. Imagem e som puros, esse é o poder do cinema, mas é algo que não é óbvio quando se assiste aos filmes hoje em dia. Os filmes foram corrompidos pela televisão“.
E se a indústria do cinema o dececiona de alguma forma, o público mais jovem não, dando o exemplo de “Oppenheimer” para falar da sua decisão em dividir a sua adaptação de “Dune” em duas partes: “Confio no público… Esta história é muito densa. Nunca faria Dune como um filme. Esta foi a única maneira de ter sucesso. Além disso, pensem em ‘Oppenheimer’… É um filme de três horas, classificado como R (nos EUA), sobre física nuclear onde principalmente se fala. Mas o público era jovem – este foi de longe o filme do ano para os meus filhos. Existe uma tendência. Os jovens adoram assistir filmes longos porque, se pagarem, querem ver algo substancial. Eles desejam assistir a conteúdos significativos“.
Quanto à hipótese de haver um terceiro filme “Dune“, Villeneuve falou no desejo de o fazer, mas sem pressas: “O perigo em Hollywood é que as pessoas fiquem entusiasmadas e pensem apenas nas datas de lançamento, não na qualidade [dos projetos].”

