Os filmes de monstros têm conquistado espaço de destaque nos grandes festivais de cinema — basta lembrar os ataques de tubarões em Dangerous Animals, apresentado na Quinzena de Cineastas de Cannes. Em sintonia com o sucesso contínuo do cinema de horror desde o início do ano — com títulos como Sinners e Weapons —, as curadorias internacionais reservam lugar na sua programação para este filão que encarna o Mal através de criaturas de impulso assassino. Cabe agora a uma nova espécime: um chimpanzé com instinto de morte. É ele o centro de Primate (Primata), filme que tanto fascina como assombra, um símbolo político da Natureza que, descontrolada pela intervenção humana, reage.
Johannes Roberts imprime uma abordagem minimalista ao retratar um grupo de jovens reunidos numa casa no Havai, onde um símio serve de mascote à família anfitriã. O tom intimista prolonga-se (em demasia) durante cerca de 30 minutos, até que o perigo se manifesta. O ritmo custa a engrenar, prejudicado pela fotografia enevoada de Stephen Murphy, que insiste em piscar luzes como um cliché visual do susto iminente. Por vezes, é difícil acompanhar a movimentação das personagens. No entanto, quando a sequência de mortes começa, a narrativa ganha fôlego e revela a veia de espetáculo que distingue o realizador de Storage 24 (2012).
A história tem um traço juvenil: ao regressar da universidade para umas férias na casa da família, no Havai, Lucy (Johnny Sequoyah) reencontra o pai, a irmã mais nova e o macaco de estimação, Ben. A mãe — falecida anos antes — era cientista e criou Ben como parte da família. Porém, na véspera da chegada de Lucy, o chimpanzé é mordido por um animal selvagem e contrai raiva. O que se segue obriga Lucy, a irmã e os amigos a refugiarem-se em pânico na piscina — o único lugar que Ben teme.
A figura paterna é interpretada com garbo heroico por Troy Kotsur (CODA), sem resvalar no arquétipo do male savior, num thriller bestial que roça o gore pela sua brutalidade explícita.




















