Mario Martone leva Turim ao universo de Mimmo Jodice

(Fotos: Divulgação)

Ao mesmo tempo que a Gallerie d’Italia em Turim, Itália, viu inaugurada a exposição Senza Tempo , com curadoria de Roberto Koch, dedicada ao longo percurso do trabalho de Mimmo Jodice, um pequeno documentário sobre o fotógrafo, assinado pelo consagrado cineasta italiano Mario Martone, foi exibido no Festival de Turim, que arrancou no passado dia 24 de novembro.

Intitulado “Un Ritratto In Movimento. Omaggio A Mimmo Jodice” (“Um Retrato em Movimento. Homenagem a Mimmo Jodice”, o documentário de Martone, que ainda recentemente se debruçou na vida e obra do ator Massimo Troisi, vagueia entre a disposição de trabalho fotográfico e muitas entrevistas (Francesco Vezzoli, Antonio Biasiucci, Marino Niolae Stefano Boeri, etc) para fazer um retrato de um homem que “transformou a fotografia numa forma de arte”, como diz Angela Jodice, que compartilhou a vida com ele e foi a primeira a ver e apoiar o seu potencial como artista.

Mario Martone e Mimmo Jodice

Com um profundo compromisso com as questões sociais, Mimmo Jodice entrou pelos bairros e fábricas de Nápoles e filmou as suas dores, em particular a dos trabalhadores das classes mais desfavorecidas, bem como das crianças e todos os que pareciam invisíveis numa Itália repleta de disparidades económicas.

Foi em meados da década de 1960 que Mimmo decidiu dedicar-se totalmente à fotografia, muito por “culpa” da convivência com o pintor e fotógrafo Giovanni Thermes, além do também pintor Emilio Notte. As suas produções dos anos 60, fortemente orientadas para a experimentação e manipulação das técnicas tradicionais da fotografia, têm como principal influência o fotógrafo inglês Bill Brandt e trazem consigo as marcas do Informal e da Vanguarda, especialmente do Cubismo e do Surrealismo. Foram precisos sete anos, desde o início da sua dedicação plena à arte da fotografia, para exibir pela primeira vez o seu trabalho em Nápoles, iniciando em 1968 uma colaboração, que prosseguiu até 1985, com o galerista Lucio Amelio.

No documentário de Martone, vemos ainda que nesses anos, em que arte contemporânea ganhou uma nova nova dinâmica, o caminho de Mimmo se cruzou frequentemente com Andy Warhol e Robert Rauschenberg, além de Joseph Beuys, que o visitava frequentemente, e cujas presença estão documentadas neste “Un Ritratto In Movimento. Omaggio A Mimmo Jodice”, quer em vídeo, quer em fotografias tirada pelo próprio Judice.

Nos anos 1970, o interesse de Mimmo Jodice despontou largamente para as festas e rituais religiosos do mundo popular, não esquecendo a devoção aos mortos, além de prosseguir o registo cuidado da sociedade napolitana e dos seus problemas, que iam das escolas à falta de saúde, passando ainda pelas prisões, hospitais psiquiátricos, e locais que lidavam agora com novos flagelos, como as drogas.

A marginalização social nas periferias da cidade foi sempre um foco, mesmo que ele nunca baixasse os braços quanto à experimentação nas técnicas de fotografia, como o fez em relação ao retrato dos corpos nus, como que guiado pela sua paixão pela arquitetura e antiguidades clássicas

Se algo se aponta ao trabalho de Martone é a sua forma curta (54’), mesmo que enriquecida pelos testemunhos e extraordinárias imagens do arquivo. Porém, essa percepção de escassez que atinge o espectador advém fundamentalmente da riqueza do trabalho de Jodice e da dimensão do seu legado.

O Festival de Turim prossegue até dia 2 de dezembro.

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