Lamentável, é a palavra mais certeira para descrever “Superpower“, documentário assinado por Sean Penn que teve a sua estreia mundial no Festival de Berlim. E lamentável porque este objeto, de cortes de montagem tão rápidos e exaustivos que mais parece um trailer de duas horas a um produto televisivo, propõe-se a traçar um retrato de Volodymyr Olexandrovytch Zelensky, atual presidente da Ucrânia, país com fronteiras definidas no direito internacional, mas que se viu invadida pela Federação Russa de Vladimir Putin.
Zelensky, o ator transformado – com o populismo comum do “vamos acabar com a corrupção” – na principal figura de estado ucraniano, aparece uma série de vezes a conversar com Penn, com o intuito de convencer os EUA a envolverem se mais no conflito, ou seja, a cederem mais e melhores armas (basta de apenas essa ajuda ser de material defensivo)
E quando falamos da guerra da Ucrânia, falamos do passado, da URSS ao Euromaidan, passando pela chegada ao poder do antigo comediante, mas igualmente sobre o futuro e de quanto tempo a guerra poderá durar. Mas nisto, eis que o ego de Penn se impõe e transforma tudo, ou quase tudo, num ensaio narcisista onde ele dá frequentemente as cara. É que, nos limites ultrapassados, uma piada falhada supera os cortes na montagem e chega à versão final. Na cena em questão, a caminho de uma das frentes de combate, Penn diz que o povo ucraniano pode descansar mais um pouco pois ele agora está armado e tem ainda os punhos para lutar junto a eles.
A verdade é que a dimensão meta deste “Superpower” poderia ter sido bem interessante de retratar do ponto de vista das dificuldades de documentar o que quer que seja num país invadido. Mas Penn – habituado a espalhar se ao comprido quando os temas são muito emocionais (veja se “The Last Face“) – cai no disparate de olhar para o seu umbigo e de descrever tudo o que se está a passar entre o nepotismo e a manipulação.
É que mesmo quando Penn olha para dentro da própria América e vê que o seu país já fez isto (invadir países em nome da sua defesa), por diversas vezes nos últimos anos, a sua ação é tímida e atropela toda a noção de democracia (moral high triunfa)que ele tanto diz querer salvar, sendo a Ucrânia o ponto chave dessa luta.
No final não temos assim, nem um documentário razoável, nem um trabalho jornalístico sério, nem tão pouco um objeto de propaganda eficaz. “Superpower” falha em todas as direções e Penn roça a canastrice na sua abordagem a dezenas de horas de filmagens que sem dúvida terão o seu lugar na história.





















