FIDMarseille defende convite a Nadav Lapid após boicote e desistência do cineasta

(Fotos: Divulgação)

Já com a sua 37.ª edição em marcha marcada pela polémica em torno da presença do cineasta israelita Nadav Lapid, a equipa que organiza o FIDMarseille (7-12 de junho) reagiu hoje oficialmente ao boicote e à desistência do próprio realizador em marcar presença no certame.

Inicialmente convidado para integrar o júri, além de apresentar uma sessão de O Polícia e participar num encontro sobre o seu livro, Lapid acabou por cancelar a deslocação a Marselha, após 10 cineastas que estavam programados para o certame pedirem para sair da seleção. Em entrevista ao Le Monde, o realizador de O Joelho de Ahed e Sim afirmou ter-se retirado para não prejudicar o festival, mas considerou que a organização “deveria ter assumido mais responsabilidades” perante a situação.

O FIDMarseille clarificou agora a sua posição perante a situação, recusando aquilo que descreve como “simplificações” e “contraverdades, afirmando compreender a raiva provocada pela política israelita no Médio Oriente, que classifica como racista, colonialista e genocida, mas considerando que essa indignação não justifica uma campanha de boicote contra a liberdade do festival em programar.

Segundo a direção do festival, a primeira decisão foi retirar Lapid do júri e manter a exibição do filme e uma conversa pública centrada na obra, em parceria com a revista Cahiers du cinéma. Porém, os protestos estenderam-se também a essa sessão, o que levou o cineasta a cancelar a sua presença em Marselha.

O FID defende que é “ilegítimo” responsabilizar um cineasta pela política do governo do seu país, sobretudo tratando-se de uma voz crítica da sociedade israelita. “Opomo-nos firmemente às lógicas de exclusão e de atribuição identitária que ameaçam a liberdade e a vitalidade do pensamento e da criação “, afirma o festival, acrescentando que não irá não renunciar “ao espaço de diálogo” que defende e estima.

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