Vendo o trailer de “Iron Doors” imediatamente pensamos em “Cube” e “Saw”. Um homem acorda fechado numa sala. Nele está um armário, e uma porta bem trancada, da qual ele não pode sair. Porque está ali e quem o fechou naquele cúbiculo é uma incógnita?
O minimalismo do local das filmagens, o baixo orçamento e a tensão unem o cenário desta produção.
O c7nema teve a oportunidade falar com Stephen Manuel, realizador deste trabalho. Aqui ficam as suas palavras sobre o filme, os próximos projectos e até um suborno aos potenciais espectadores.
Ouvi dizer que ‘Iron Doors’ nasceu de uma aposta?
Não, não houve apostas envolvidas. Tudo começou comigo e com um amigo que participou no filme, o Axel Wedkind, sobre executar um filme de uma maneira que queríamos mesmo. Desde que a nova Red Camera foi lançada, filmar tornou-se muito mais barato e nós queríamos isso. Por isso procurámos um argumento que não envolvesse muitas personagens ou localizações, mas que fosse tenso e espectacular. Acho que encontrámos isso.
Como funcionou o casting? Foi a pensar nas personagens?
Bem, o guião foi escrito por um americano, Peter Arneson, mas ficou claro, desde o início que o Axel seria o protagonista. Ele é um amigo de longa data e trabalhámos várias vezes. Ele tinha uma grande paixão pela história. Para além disso ele é co-produtor…
Quando vemos o trailer imediatamente pensamos em ‘Cube’ e ‘Saw. Estes filmes inspiraram-te? Quem te inspira no cinema?
O nosso filme é mais ‘Cube’ do que ‘Saw’. Mas ‘Iron Doors’ é diferente, pois pode começar como esses dois filmes, prosseguindo depois em direcções opostas. O espectador espera ver algumas coisas, devido a ter visto essas obras, mas o “Iron” joga com essas expectativas e cria algo completamente diferente. O meu realizador preferido é o Sam Raimi,, acho que conta visualmente as melhores histórias, para além de Spielberg.
Como tem sido a reacção ao filme?
Tivemos óptimas reacções ao filme. Muitas das pessoas caíram no erro de pensar que era uma nova versão de “Cube” ou “Saw” e ficam surpreendidas pela tensão e surpresa que o enredo apresenta. “Esperem o inesperado”, é uma das minhas críticas preferidas.
Mas pode ‘Iron Doors’ tornar-se numa saga, como ‘Cubo’?
Sim, pode ser que sim. Nós temos uma ideia para a sequela, que seria totalmente diferente do original mas que manteria a tensão.
E como é realizar com micro orçamentos?
Este filme custou-nos 80 mil Euro., para além de algumas regalias que acordámos com a equipa técnica. Se ajuda ter um baixo orçamento? Não necessariamente, mas é surpreendente o quanto podes alcançar quando começas a pensar no que precisas para trabalhar sem recorrer a dinheiro. Por isso tens que pensar em alternativas e a solução para o problema até pode criar ainda mais suspense na obra.
Tens outros projectos em mente para o futuro?
Estou a ler alguns guiões, todos na linha de terror e ficção cientifica, mas o próximo trabalho será definitivamente maior, ainda que tenso e original como Iron.
E um projecto de sonho?
Sim. Realizar “Evil Dead 4”. É preciso fazer esse filme!!!
Ok. Imagina a situação. Estás na Internet e encontras o teu filme para download num site estilo Pirate Bay. Qual a primeira coisa que te vem à cabeça.
A primeira coisa? Fuck! Mas por outro lado, como li algures – a pirataria é um problema dos estúdios, o anonimato um problema do cinema independente. Assim, se um filme não é lançado propriamente por mau marketing ou porque nenhum distribuidor o compra, pelo menos hoje em dia podemos fazer que a obra chegue às pessoas. E mesmo que o vejam de borla, ao menos são vistos. Eu fiz uma comédia com o Corey Feldman (The Goonies) e o filme não foi lançado porque a produtora fez um mau trabalho na venda e na publicidade. Mas agora ele começa a encontrar um certo culto à sua volta, pois pode ser visto num site pirata. Se colocares ‘Lucky Fritz Trailer’ no Youtube vais encontrar os links. E para mim, como realizador desse filme, é bom ver que ao menos algumas pessoas gostaram mesmo dele.
Qual a importância de um Festival de Cinema, como Fantasporto, para um filme como este?
Os festivais são muito importantes para um filme pequeno como o nosso. A audiência pode vê-lo, nós temos feedback, conhecemos cineastas com ideias parecidas e podemos até formar alianças para outros filmes. Por isso estou muito ansioso pelo Fantasporto, especialmente quando ouvimos dizer que é um grande festival de terror e de cinema fantástico. Nós vamos estar lá e se quiserem ver o ‘Iron Doors’ podem vir ter comigo depois do filme terminar e referir a entrevista com o Jorge Pereira. Eu pago-vos uma cerveja! Se isto isto é um suborno? Acho que sim 😉

