“Arcadia“, de Yorgos Zois, conquistou três estatuetas nos prémios anuais (os Íris) entregues pela Academia Helénica de Cinema
A coprodução greco-búlgara, que arrecadou os prémios de melhor filme, realização e argumento, segue um casal – Katerina (Angeliki Papoulia), uma neurologista, e Yannis (Antonis Tsiotsiopoulos), um médico reformado – que viaja para um resort remoto fora de época e é forçado a ir a um hospital de uma pequena cidade para identificar a vítima de um trágico acidente. “O interessante neste filme é que são as pessoas que têm fantasmas e não são os locais que visitam“, explicou Yorgos Zois ao C7nema, em fevereiro do ano passado, numa entrevista na Berlinale, logo após o filme estrear na extinta secção Encounters “Os fantasmas são reais. Mesmo quando te separas de alguém, ou alguém desaparece da tua vida, a sua lembrança está colada a ti. Só desaparecem quando morres ou os esqueces“.
Apesar de “Arcadia” conquistar as principais distinções, foi “She Loved Blossoms More“, de Yannis Veslemes, o filme mais premiado, com oito estatuetas, conquistadas sobretudo nas categorias técnicas. O filme sobre a tentativa de três irmãos de ressuscitar a mãe falecida através da criação de uma estranha máquina do tempo estreou no Festival de Toronto no ano passado.
Nos documentários, “Stray Bodies“, de Elina Psykou, foi o grande vencedor, Filmado entre a Grécia, Malta, Suíça e Itália, o filme questiona uma União Europeia que pouco mais consegue ser que uma união económica, acompanhando-se mulheres europeias que, para ter acesso a procedimentos médicos proibidos nos seus países, como o aborto, têm de atravessar fronteiras e fingir que foram fazer outra coisa, como turismo ou compras.
De resto, destaque para o prémio de realização de estreia entregue a Kostis Charamountanis, por “Kyuka Before Summer’s End“, que viu ainda Elsa Lekakou ser escolhida como a melhor atriz.

